Um cargo e só

Paulo Guedes chegou ao máximo de constrangimento ou ainda aguenta? Bolsonaro vai seguir testando

É muito menos constrangedor ser ignorado do que ser enganado. E Guedes é, no governo Bolsonaro, o indivíduo mais enganado e isolado ainda em atividade.

Igor Maciel
Igor Maciel
Publicado em 22/02/2021 às 10:54
Análise

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Bolsonaro e Guedes, o ministro esvaziado - FOTO: REPRODUÇÃO
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Paulo Guedes reclamava de já ter apresentado suas ideias a outros presidentes e nunca ter sido levado a sério.

Com Bolsonaro, acreditou que, finalmente, poderia colocar em prática o perfil liberal que acredita ser necessário ao Brasil.

Mas, a nossa cultura política não aceita isso.

O país não está pronto para abrir mão da figura materna do Estado.

Acostumados fomos a receber auxílios e ver os cofres públicos servindo para políticas assistencialistas sem objetivo de fundo, apenas como instrumento populista voltado para eleger e reeleger pessoas em um ciclo que nunca acabou com a desigualdade e, pelo contrário, a mantém.

Desde que assumiu, Bolsonaro deu mostras de que nunca foi liberal e nunca concordou com Paulo Guedes, apenas ouviu e, se entendeu algo, concordou apenas porque aquilo iria lhe dar amplitude eleitoral.

Ao demitir o presidente da Petrobras para intervir nela, colocando um general no cargo, deu mais uma demonstração de que Guedes deveria ter ouvido todos os presidentes anteriores que não lhe deram atenção e entendido o gesto deles como um ato de respeito, já que eles sabiam que o Brasil não estava preparado para aquilo.

Porque é muito menos constrangedor ser ignorado do que ser enganado. E Guedes é, no governo Bolsonaro, o indivíduo mais enganado e isolado ainda em atividade.

Mas, cada um sabe o que é capaz de aguentar pra seguir sendo chamado de ministro.

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