Cena Política

A eleição de 2022 para Ciro Gomes pode acabar muito antes de começar. Por agora, ficou inviabilizado

O pedetista é uma das criaturas mais imprevisíveis da política brasileira, chegado em arroubos como poucos. Tudo o que o campo moderado de centro não suporta é imprevisibilidade.

Igor Maciel
Igor Maciel
Publicado em 06/04/2021 às 11:02
Análise
RICARDO STUCKERT/ INSTITUTO LULA
'O que você não quer é debater o país, os projetos, as coisas que o PT fez no poder. Então você reduz a política a uma briga de amigos, a afetos. O povo brasileiro não merece isso', disse Ciro Gomes - FOTO: RICARDO STUCKERT/ INSTITUTO LULA
Leitura:

Ciro Gomes (PDT) sentiu o peso da volta de Lula (PT) assim que ela aconteceu. O clima de possível reaproximação evaporou imediatamente. Porque Ciro não aceita ficar fora do holofote. Nem Lula.

Mas, ao sugerir que Lula vá para uma vice (dele próprio, naturalmente), o pedetista deu mostras de que ficou incomodado com a inviabilidade de sua própria candidatura.

A principal consequência para os planos de Ciro é o PSB. Os socialistas, que chegaram a gritar contra o PT nas eleições municipais e conversaram com Luciano Huck para tentar rumar ao centro, agora vão fingir que nunca disseram nada, que o PT nunca foi corrupto e que sempre acreditaram na esquerda.

Ciro contava com o PSB para seu palanque, escanteando o PT e Lula. Estava tudo encaminhado. O PCdoB iria junto, porque depende dos socialistas pra sobreviver. Aí, liberaram Lula.

O ex-governador do Ceará compara Lula com Cristina Kirchner, que foi candidata a vice na Argentina, depois de ter sido presidente. A comparação é imprecisa, por uma inviabilidade de futuro.

Lá, Alberto Fernandes aceitou ser um presidente de fachada para que Kirchner voltasse ao poder. Ele, Ciro, aceitaria isso com Lula? Não. E o ex-presidente brasileiro sabe disso.

A opção para Ciro Gomes seria rumar ao centro e tentar representar esse campo, fugindo da polarização. O problema, mais uma vez remete ao futuro, dessa vez com a imprevisibilidade.

O pedetista é uma das criaturas mais imprevisíveis da política brasileira, chegado em arroubos como poucos. Tudo o que o campo moderado de centro não suporta é imprevisibilidade.

Hoje, a perspectiva de Ciro para 2022 é a pior possível. Talvez, se a pandemia deixar, ele tenha que antecipar a passagem até Paris.

Comentários

Últimas notícias