Cena Política

Bolsonaro trabalhou contra vacina que, hoje, responde por quase 84% das doses aplicadas no Brasil

Bolsonaro dificultou o quanto podia, em uma guerra pessoal e política com o governador de São Paulo, João Doria. O presidente prometeu 100 milhões de doses da vacina de Oxford. Até agora, foram só 4 milhões.

Igor Maciel
Igor Maciel
Publicado em 13/04/2021 às 10:20
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ALUISIO MOREIRA/SEI
Cidades do Estado interromperam a aplicação por falta de doses - FOTO: ALUISIO MOREIRA/SEI
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Das 26,5 milhões de doses de vacina aplicadas no Brasil até o último dia 11 de abril, somente 4,4 milhões são do imunizante da Astrazeneca.

Da Coronavac/Sinovac, foram 22,1 milhões de doses.

Das vacinas aplicadas, tem-se 83,3% originadas do Butantan. A Coronavac é a que Bolsonaro dificultou o quanto podia, em uma guerra pessoal e política com o governador de São Paulo, João Doria.

Chamou de "vacina chinesa" e garantiu a apoiadores nas redes sociais que ela não seria liberada no Brasil.

Em agosto de 2020, o presidente falou para os apoiadores: "Se fala muito da vacina da Covid-19. Nós entramos naquele consórcio lá de Oxford. Pelo que tudo indica, vai dar certo e 100 milhões de unidades chegarão para nós. Não é daquele outro país não, tá ok, pessoal? É de Oxford aí", disse o Bolsonaro.

Em outubro de 2020, depois que o então ministro Eduardo Pazuello resolveu comprar a vacina do Butantan, que estava adiantada, Bolsonaro falou mais alto: "Já mandei cancelar, o presidente sou eu, não abro mão da minha autoridade".

Depois, já em 2021, numa transmissão virtual, mandou recado para o governador de São Paulo: "Ninguém vai tomar a sua vacina na marra não, tá ok? Procura outro. E eu, que sou governo, o dinheiro não é meu, é do povo, não vai comprar a vacina também não, tá ok? Procura outro para pagar a tua vacina aí", soltou Bolsonaro.

Quando as mortes começaram a aumentar e as teorias malucas, baseadas na cabeça de pessoas como o deputado Osmar Terra (MDB), falharam, o presidente foi obrigado a engolir as palavras e fingir que nunca havia dito nada disso.

É preciso lembrar, também, que em agosto de 2020 a Pfizer ofereceu 70 milhões de doses para o Brasil. Bolsonaro recusou.

É difícil sobreviver a uma tempestade perfeita, principalmente quando quem deveria abrigar trabalha como agente de caos.


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