Cena Política

Bolsonaro no limite de uma crise de nervos com a sequência de contrariedades a que foi exposto

Sem ajuda dos militares, enfraquecido politicamente, brigado com outras instituições e com apoiadores que o enxergam mais como uma subcelebridade do tipo que se persegue com a intenção de gravar um "alô para a mãe" do que como chefe de estado, resta saber o que virá em seguida para o Brasil.

Igor Maciel
Igor Maciel
Publicado em 14/04/2021 às 14:14
Análise
ISAC NÓBREGA/PR
Bolsonaro está acuado e irritado com a "falta de apoio dos apoiadores" - FOTO: ISAC NÓBREGA/PR
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Na terça-feira (13), pela primeira vez, o presidente Jair Bolsonaro perdeu a paciência com os próprios apoiadores, aqueles que ficam num cercadinho esperando que ele passe.

Sim, o cercadinho ainda existe, só não há mais aquela cobertura da imprensa que parece ter, finalmente, entendido que servia como palanque do caos político e nada mais.

O presidente, acuado pela instalação da CPI da pandemia, tentou fazer seu discurso contra o ministro Luís Roberto Barroso, mas os apoiadores não prestavam atenção. Ele avisou que era importante o que estavam falando, foi interrompido por um seguidor pedindo "atenção ao Rio de Janeiro".

Bolsonaro deu uma bronca, disse que não estava ali para ser cobrado. "O que é dar atenção?" Tem um governador e tem um prefeito lá", respondeu. E completou: "Impressionante! O pessoal, em vez de dar força pra mim, critica. Não sou ditador do Brasil". 

O presidente, então, retomou sua fala, querendo dar sua versão aos seguidores sobre a ligação gravada entre ele e o senador Jorge Kajuru. Foi interrompido, novamente. Dessa vez, por uma mulher, segurando um telefone, que pedia para o chefe do Executivo "mandar um alô para a mãe dela".

Ele interrompeu, deu as costas e entrou no carro, seguido pelos seguranças.

Na quarta-feira (14) com a CPI já criada, as notícias continuaram ruins. A formação dos integrantes da Comissão de Inquérito tem muito mais oposição do que Governo. Tendência é que os trabalhos foquem na condução dele no combate à pandemia e não nas verbas recebidas por governadores e prefeitos.

O presidente voltou a se irritar, disse que "o Brasil está no limite", falou em "barril de pólvora". Como se ameaçasse um levante popular. O problema é que quase ninguém leva mais Bolsonaro a sério.

Todo mundo entende que quando fala em Brasil, Bolsonaro se refere a si mesmo.

A ideia era pressionar o STF, que deve referendar a CPI da Pandemia no Plenário, nesta quarta-feira. Os ministros do Supremo trataram como bravata, quando não ignoraram completamente as falas do presidente.

Sem ajuda dos militares, enfraquecido politicamente, brigado com as outras instituições e com apoiadores que o enxergam mais como uma subcelebridade do tipo que se persegue com a intenção de gravar um "alô para a mãe", o presidente da República parece cada vez mais perdido e tem dado mostras de que está em seu limite.

Resta saber o que acontece depois.

 

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