Cena Política

Lançar nomes no PSB contra Geraldo Julio é parte da estratégia de aliados querendo vaga pro Senado

Secretários de Saúde e da Casa Civil já foram citados como candidatos por aliados do PSB. Ideia é dar a entender que não querem Geraldo Julio para "serem convencidos".

Igor Maciel
Igor Maciel
Publicado em 23/04/2021 às 12:20
Análise
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Não é que não aceitem Geraldo Júlio (PSB), mas faz parte do jogo fingir não aceitar. - FOTO: Foto: JC Imagem
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Geraldo Julio (PSB) é o nome natural do PSB para disputar o governo do estado. Por enquanto é, sim, o único nome trabalhado pelo partido.

Mas não se pode dizer o mesmo sobre os aliados da Frente Popular e cogitar outras possibilidades faz parte do jogo.

Nenhum dos representantes dos partidos no palanque do PSB imagina que os socialistas abririam mão da principal vaga majoritária. Mas, a eleição de 2022 terá espaço para vice e para apenas um senador.

Essa vaga para o senado é o principal foco de todas as negociações e ficar jogando no ar nomes de integrantes do governo que não tem pretensão política, apenas para tumultuar, faz parte da estratégia.

Todo conformado ganha menos.

Então, os partidos da base precisam exaltar um inconformismo para negociar mais à frente.

Fingir que não aceitam Geraldo, e ameaçar uma rebelião, ajuda.

Líderes partidários de partidos que orbitam o PSB já lançaram o secretário da Casa Civil, José Neto, como um "nome melhor e mais agregador do que Geraldo". Outros lançaram André Longo, o secretário de Saúde, "pelo trabalho que ele faz nessa pandemia". Nenhum dos dois demonstra qualquer pretensão de disputar o cargo de Paulo Câmara (PSB), hoje.

No fundo, o objetivo é mandar recados ao PSB, de que não vão aceitar Geraldo sem antes negociar a vaga do Senado, principalmente.

Desde 2010, o PSB elegeu todos os candidatos ao Senado que apresentou. Todos os senadores pernambucanos em atividade hoje devem suas eleições aos socialistas. Inclusive Fernando Bezerra Coelho (MDB) que cogita ser candidato a deputado federal, porque sabe que será difícil se eleger senador sendo, hoje, oposição ao PSB em Pernambuco.

A única vaga para a Casa Alta em Brasília é objeto de desejo dos partidos. E outro fator deixa a disputa mais aguda. Partidos de grande força na Frente Popular, como o PT e o MDB, já tem senadores com mais quatro anos de mandato: Humberto Costa (PT) e Jarbas Vasconcelos (MDB). Eles estão fora.

Seria a hora de contemplar uma das outras siglas que nunca tiveram vice, nem senador.

Por isso a pressão para mostrar que não estão conformados. E isso ainda vai render muito.

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