Cena Política

CPI vai de passar a mão na cabeça à ameaça de prisão, sem escalas. Esperava-se mais perspicácia dos senadores

Wajngarten mentiu e, ao invés de desmontar a mentira, os parlamentares pareciam disputar para ver quem falava mais alto no intuito de enquadrar o mentiroso. É uma disputa por quem aponta o dedo primeiro. Mas ninguém busca conteúdo.

Igor Maciel
Igor Maciel
Publicado em 13/05/2021 às 10:00
Análise
Marcelo Camargo/Agência Brasil
Fabio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação da Presidência da República - FOTO: Marcelo Camargo/Agência Brasil
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A dificuldade da CPI em apresentar algo de concreto vai muito da falta de preparo dos senadores. Apesar do alto custo de seus gabinetes, parece que falta assessoria e perspicácia.

Ontem, com Fábio Wajngarten, apenas se repetiu o tom de todos os dias na comissão que vai do volume 8 ao 80, sem meio termo: ou passa a mão na cabeça ou ameaça logo de prisão.

Com excessão de Humberto Costa (PT), que ainda atinou para buscar vídeos que desmentiam o depoente, ficou todo mundo seguindo o roteiro chato de seu próprio personagem e nada mais.

Alguns estão ali encarnando um defensor do presidente e do governo, para que nada atinja o mito. Outros transformaram sua atuação em um roteiro batido de super-herói justiceiro, querendo honrar os mortos na pandemia. Mas, esqueceram que os depoentes saem do roteiro, principalmente pra mentir.

Wajngarten mentiu e, ao invés de desmontar a mentira, os parlamentares pareciam disputar para ver quem falava mais alto no intuito de enquadrar o mentiroso. É uma disputa por quem aponta o dedo primeiro. Mas ninguém busca conteúdo.

A perspectiva, agora, é que os senadores se arrastem em horas e horas de depoimentos até chegarmos em mais um ponto nevrálgico que deve ser a fala do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, na próxima quarta-feira (19).

Há muita pressão sobre ele, porque as principais decisões administrativas sobre vacina e sobre a falta de oxigênio em Manaus aconteceram durante a gestão dele.

Serão horas bem aproveitadas? Veremos.


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