Cena Política

Lula e Bolsonaro precisam um do outro para estarem vivos nas eleições. Se um não tivesse o outro, desapareceria

A esquerda, numa reação imediata a esse tipo de análise, começou a apontar nos analistas o "crime" da "falsa simetria". Mas não se trata de simetria, é apenas a constatação de que o maior adversário de Lula é ele mesmo.

Igor Maciel
Igor Maciel
Publicado em 13/05/2021 às 13:00
Análise
MONTAGEM SOBRE FOTOS/EDITORIA DE ARTES
Ex-presidente Lula (PT) e o atual presidente Jair Bolsonaro (Sem partido). - FOTO: MONTAGEM SOBRE FOTOS/EDITORIA DE ARTES
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Lula (PT) depende de Bolsonaro (sem partido) e Bolsonaro depende de Lula.

Analisar pesquisas com tanto tempo de antecedência é temerário, mas é possível perceber alguns cenários que se repetem em todos os levantamentos apresentados esta semana:

Um deles é que Lula venceria Bolsonaro no segundo turno. O outro é que as chances de Bolsonaro aumentam com a entrada de Lula no cenário. Porque o maior eleitor de Bolsonaro, é o antipetismo.

A esquerda, numa reação imediata a esse tipo de análise, começou a apontar nos analistas o "crime" da "falsa simetria". Mas não se trata de simetria, é apenas a constatação de que o maior adversário de Lula é ele mesmo.

Bolsonaro, sem a rejeição ao petismo, nem faria cócegas eleitorais no ex-presidente.

Da mesma maneira, se não houvesse Bolsonaro como alguém que precisa ser derrotado, o vilão que precisa perecer, Lula teria pouca serventia para além dos 30% que sempre o apoiaram e resistiram com ele, mesmo após a prisão.

Se Bolsonaro fosse apenas um mau gestor e não o "vilão" de história em quadrinhos no qual foi transformado, qualquer outro candidato serviria.

Por isso Lula depende de Bolsonaro e Bolsonaro depende de Lula.

A vantagem do ex-presidente é que a imagem de corrupção caiu muito mais forte sobre o PT do que sobre ele próprio.

Por isso é normal que largue na frente.

Mas a sequência das pesquisas que já incluíram Lula em levantamentos anteriores mostram que o líder petista teve um aumento na rejeição ao longo das últimas semanas. Isso pode crescer.

Marília Arraes, no Recife, que nem tinha tanta identificação com o PT, perdeu a eleição quando o adversário, seu primo, João Campos (PSB), apelou para o antipetismo.

Imagina Lula, que se confunde com o partido.

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