Cena Política

Crimes de Bolsonaro e auxiliares, se existirem, devem ser apurados. Mas vacina precisa vacinar e aqui elas geram polêmica demais

Covaxin e Sputnik V vão e voltam em debates intermináveis sobre quem é o pai, quem é a mãe e quem gosta delas ou não gosta. Mas, nenhuma das duas vacinou os brasileiros até agora.

Igor Maciel
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Igor Maciel
Publicado em 25/06/2021 às 8:55
DIBYANGSHU SARKAR / AFP
DENÚNCIA Deputado e servidor levaram a Bolsonaro suspeitas sobre contratos da Covaxin e ele não agiu - FOTO: DIBYANGSHU SARKAR / AFP
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No Twitter, no Brasil, a vacina indiana Covaxin já é um dos principais assuntos discutidos.

Mas, ninguém fala sobre a eficácia dela ou sobre quantas pessoas ela imunizou.

Pouco se fala sobre a segurança que é baixa, sobre a representante dela nos EUA ter desistido de pedir autorização emergencial porque não há documentação sobre testes da fase 3.

Ninguém quer discutir a falta de transparência da fabricante.

Todos esses assuntos são acessórios e utilizados apenas se o objetivo for politizar. O que todo mundo quer é saber se essa vacina pode derrubar o presidente da República, por causa do escândalo que se formou em torno de sua aquisição. E se houve o crime, precisa haver punição.

Aconteceu algo parecido com a Sputnik V. Por semanas se discutiu se a vacina era do presidente ou dos governadores.

Por semanas se discutiu se a Anvisa estava retardando a aprovação da vacina por questões políticas, apesar da falta de transparência dos russos, apesar de não haver testes registrados, apesar de a equipe de fiscalização da Anvisa ter sido enganada quando foi visitar o laboratório na Rússia.

Mas tudo virou política rapidamente.

A pergunta que é preciso fazer, nessa altura, em que governadores, prefeitos e presidente são associados a vacinas como se fossem suas realizações políticas: quantos brasileiros já foram imunizados com a Covaxin ou com a Sputnik V?

A resposta é: nenhum.

Politizar tudo e esquecer o essencial, também mata.

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