Cena Política

Fundão eleitoral representa gasto oito vezes maior do que o previsto para o saneamento no Brasil

Políticos que votaram contra o aumento também serão beneficiados. Por mais que façam discurso contra, continuam de bolsos abertos para o dinheiro.

Igor Maciel
Igor Maciel
Publicado em 24/07/2021 às 7:00
Análise
LEOPOLDO SILVA/AGÊNCIA SENADO
LEGISLAÇÃO A proposta foi aprovada pelo Legislativo no início deste mês e prevê que os planos entreguem as medicações em até 48 horas - FOTO: LEOPOLDO SILVA/AGÊNCIA SENADO
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O Brasil gastou, em 2021, até julho, menos de R$ 152 milhões com saneamento básico urbano, rural e com a expansão do sistema de água e esgoto. A previsão do orçamento é que chegue próximo de R$ 700 milhões.

Ainda neste mesmo período, de janeiro a julho de 2021, o governo Federal gastou R$ 469 milhões com moradia, através do ministério do Desenvolvimento Regional.

Isso, só para ter uma ideia e entender o impacto que um gasto de R$ 5,7 bilhões tem no orçamento do Brasil.

E é o valor que os deputados e senadores decidiram que deve ser dado a eles para fazer campanha eleitoral em 2022.

O fundão eleitoral é um símbolo do escárnio, do desprezo, do desdém e do desrespeito dos políticos com os brasileiros. E votar contra não é motivo de mérito, é preciso avisar.

Há os que votaram a favor porque queriam que fosse aprovado e os que votaram contra, mas pretendem aproveitar os valores.

Mais importante do que a lista de votação, o acompanhamento dos gastos é essencial.

O prefeito João Campos (PSB), por exemplo, votou contra o aumento do fundão em 2020.

Na época o reajuste foi de R$ 1,7 bilhões para R$ 2 bilhões.

Mas, na hora da campanha, no Recife, foi o candidato que mais usou os recursos e recebeu quase R$ 9 milhões. Tudo dentro da lei, claro.

Porque, no Brasil, o legal, o ético e o moral nem tentam ser da mesma família, pra evitar um mortal conflito de interesses.

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