Cena Política

Bolsonaro precisa fazer barulho para sobreviver e reunião proposta por governadores não vai dar em nada

Gestores estaduais estão propondo uma reunião com todos os governadores, o presidente e os chefes dos outros poderes. Ideia seria oferecer uma saída honrosa a Bolsonaro, para que ele pare de atacar instituições. Não vai dar certo.

Igor Maciel
Igor Maciel
Publicado em 24/08/2021 às 11:00
Análise
Foto: Marcos Corrêa/PR
Presidente Jair Bolsonaro - FOTO: Foto: Marcos Corrêa/PR
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A tal "saída honrosa" que os governadores querem oferecer a Bolsonaro, para que ele pare de escalar a crise, pode não ajudar.

Ficou acertado no último encontro dos governadores que será proposta uma reunião geral dos gestores estaduais com Bolsonaro e os demais chefes de poderes. Seria a oportunidade para um entendimento geral e o resfriamento da tensão.

A intenção é muito boa e tem método. Uma lição do debate político é sempre permitir que o outro lado tenha uma porta aberta para render-se, mas sem parecer que se rendeu.

A esperança é que, ao ver que todos estão pedindo moderação, Bolsonaro se dê por vencido e modere o verbo.

Se fosse um político normal, aproveitaria a chance para afrouxar as cordas. Mas, não é.

O que está sendo ignorado é que o presidente não quer isso, por uma questão de sobrevivência política. Ele precisa do confronto.

Sem ambiente para governar, sem dinheiro e numa crise econômica, o chefe do Executivo quer fazer barulho. E vai fazer.

Pior, ele se encaminha para ser derrotado nas urnas e precisa seguir construindo um discurso de golpe para manter viva sua militância política.

Na essência, não é diferente do que fez o PT, quando o impeachment de Dilma turvou o horizonte. Se as coisas vão dar errado, "grita que é golpe" e mantém um grupo fiel para se reagrupar no futuro.

A execução, porém, é muito mais violenta, porque ameaça não apenas a imagem, como o PT já fez, mas a integridade das instituições.

Bolsonaro não pretende esfriar os ânimos e um dos indícios é o pedido de impeachment feito apenas contra Alexandre de Moraes, depois de prometer que também pediria o de Luiz Roberto Barroso.

Barroso é o atual presidente do TSE.

Mas, quando a eleição acontecer, o presidente do TSE será Alexandre de Moraes.

Caso realmente perca a disputa, Bolsonaro vai dizer que perdeu porque pediu o impeachment do presidente do TSE no passado. E vai gritar que foi "golpe".

Barulho, muito barulho. Será assim pelos próximos 15 meses.

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