Cena Política

Humberto Costa lança candidatura e ocupa espaços elogiando Paulo Câmara, enquanto espera o PT nacional pressionar o PSB

"Eu não vou entender se o PSB mandar Paulo Câmara pra casa", disse Humberto em entrevista à Rádio Jornal. É calculado. Se Paulo for candidato, o PT ocupa a cabeça da chapa.

Igor Maciel
Igor Maciel
Publicado em 19/01/2022 às 12:33
SÉRGIO BERNARDO/JC IMAGEM
Humberto Costa e Paulo Câmara - FOTO: SÉRGIO BERNARDO/JC IMAGEM
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O senador Humberto Costa (PT) foi um tom além durante a entrevista que deu à Rádio Jornal nesta quarta-feira (19).

Apesar de já ter colocado o próprio nome como opção para ser candidato ao governo do Estado, o movimento era mais tímido. Parecia apenas uma forma de fazer pressão para que os socialistas se apressassem.

Dessa vez, ele fez elogios ao governador Paulo Câmara (PSB) e foi enfático: "eu não vou entender se o PSB mandar Paulo Câmara pra casa".

Humberto quer que Paulo seja candidato ao Senado e ele, nessa formação, seria o candidato a governador.

É preciso entender uma coisa sobre Humberto Costa: ele não é Marília Arraes (PT). Enquanto a deputada costuma agir dentro do partido para provocar o resultado que deseja, muitas vezes criando impasses internos e batendo de frente com a direção, o senador só funciona em sintonia.

Horas antes da entrevista dele à Rádio Jornal, Gleisi Hoffmann, presidente nacional do PT, dava entrevista em São Paulo sobre a eleição de 2022 e, meio que sem ninguém perguntar, disse que Humberto era candidato em Pernambuco porque "o PSB não tem candidato".

A fala aconteceu num encontro de ex-ministros da Saúde do qual ela participava. Se Humberto não age em dissonância com Gleisi e Lula (PT), da mesma forma eles não fazem nada sem um plano bem estabelecido.

Não é coincidência, mas Gleisi tem uma reunião decisiva nesta quinta-feira (20) com o presidente do PSB, Carlos Siqueira.

Humberto detalhou o que pensa sobre a indefinição do PSB e sobre Paulo não ser candidato. Disse que não acredita que o PSB "vai excluir do processo dois dos seus três líderes".

Porque Geraldo não vai ser candidato e vai ficar só João Campos (PSB).

"Paulo tem que ser candidato ao Senado", repetiu.

O segundo governo de Paulo é diferente do primeiro. Mas há outro interesse, além de reconhecimento justo, no horizonte petista.

Acontece que, se Paulo for candidato, o PSB perderia o direito de indicar a cabeça da chapa, porque não teria o que oferecer aos aliados. Da mesma forma, as opções que sobraram para o PSB indicar terão que ser muito bem conversadas com os aliados.

Se for Tadeu Alencar ou Danilo Cabral, há resistências no grupo, dentro e fora do PSB. O PT quer estar com uma solução pronta, caso o problema cresça demais.

O PSB tem pesquisas internas com algumas opções de candidatos e sabe que a viabilidade deles depende de uma âncora. Como Lula.

Como ninguém nesse ambiente político nasceu ontem, o PT também tem pesquisas com as mesmas diretrizes e vai usar pra negociar.

Na conversa desta quinta-feira, Gleisi vai dizer a Carlos Siqueira que Lula não vai apoiar qualquer um que o PSB indicar, sem que isso seja acertado em detalhes antes.

E vai deixar claro que precisa do PSB nacionalmente, mas que o PSB também precisa do apoio de Lula ou pode não sobreviver em Pernambuco.

Humberto está ocupando o terreno e aguardando.

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