Cena Política

O PSB está procurando um adversário em Pernambuco, mas tem que ser alguém que enfraqueça Marília Arraes

Os votos que fazem Danilo Cabral (PSB) crescer, em sua maior parte, estão hoje estacionados no palanque da ex-petista. Alguém precisa quebrar a posição dela, pra que eles migrem.

Igor Maciel
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Publicado em 06/05/2022 às 12:16
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Danilo Cabral - FOTO: DIVULGAÇÃO
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O PSB está buscando um rival para chamar de seu. Um dos princípios da gestão de crises é organizar os problemas, porque quem tentar resolver tudo de uma vez não consegue dar conta de nada.

Neste momento, os socialistas têm quatro grandes problemas, espalhados em quatro palanques com poucas similaridades.

Quem já fez o antigo vestibular ou o Enem, lembra das dicas dos professores. E uma delas é importantíssima: quando demorar demais e não conseguir responder uma questão, pule para a próxima.

Tentaram evitar que Marília Arraes (SD) usasse a imagem do ex-presidente Lula (PT), não conseguiram.

Tentaram fazer com que Lula renegasse Marília, não conseguiram.

Pularam, agora, para outro problema que é eleger um adversário preferencial e ajudá-lo a crescer para enfraquecer Marília.

Sim, você não leu errado. Uma das estratégias do PSB passa por fortalecer algum adversário na medida em que ele possa crescer.

Enfraquecer a atual líder das pesquisas, jogando votos de indecisos no palanque de Raquel Lyra (PSDB), Miguel Coelho (UB) ou Anderson Ferreira (PL), de maneira controlada, é essencial para que Danilo Cabral (PSB) volte a crescer.

Porque os votos que fazem Danilo crescer, em sua maior parte, estão hoje estacionados no palanque da ex-petista.

Alguém precisa quebrar a posição dela, pra que eles migrem.

Não é a primeira vez

Em 2020, de forma não usual, entraram na Justiça contra Daniel Coelho (Cidadania) para que ele fosse proibido de usar a expressão "respiradores de porcos" no período pré-eleitoral do Recife.

Daniel estava disputando a "vaga" de candidato da oposição com Mendonça Filho (na época pelo DEM). O PSB mostrava que preferia Daniel como adversário e tentava "criar uma rivalidade" com ele.

Para quem não lembra, a tentativa de escolher o adversário deu errado para o PSB, mas o errado acabou dando certo porque Daniel, ao invés de se unir a Mendonça, preferiu lançar a candidatura de Patrícia Domingos (na época pelo Podemos).

Numa eleição que já tinha Marília como candidata e com forte recall para o segundo turno, o erro jogou os eleitores de centro e direita no colo de João Campos (PSB).

Esse movimento já está começando em 2022.

Os socialistas estão na fase de identificar quem é o adversário que pode atrapalhar Marília. Nos próximos dias serão vistas respostas sendo dadas com mais ênfase a candidatos específicos.

É só observar: o governo recebe críticas de todos, mas só responde algumas e outras não. Depois, eles verificam as pesquisas internas diárias pra estudar os efeitos.

O grande risco dessa estratégia é que os adversários se entendam e se unam pra garantir uma vitória, como Daniel não fez em 2020.

E se não conseguir resolver essa questão o PSB terá que pular para outras, como a debandada da frente Popular, que ainda pode piorar.

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