Cena Política

Indicação do vice é armadilha do centrão para Bolsonaro. Impeachment fica mais fácil em 2023

Dilma só caiu por causa do vice. Temer não caiu por não ter vice. Bolsonaro não caiu por ter vice ruim para o centrão. Tereza é do centrão.

Igor Maciel
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Igor Maciel
Publicado em 16/06/2022 às 10:22
ISAC NÓBREGA
VICE - Comando do Centrão queria substituir o general Walter Braga Netto pela deputada e ex-ministra - FOTO: ISAC NÓBREGA
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Bolsonaro (PL) tem medo de vice. Por isso, só escolheu alguém que pudesse causar mais insegurança política do que ele próprio.

É uma forma de se proteger e não sofrer impeachment.

Se tem algo que ele aprendeu com os erros de Dilma Rousseff (PT) foi que ter um vice político, com boa circulação no Congresso, coloca a cabeça do titular a prêmio.

Dilma só caiu porque o vice era Temer. Temer não caiu porque Rodrigo Maia, então presidente da Câmara, teria que convocar eleições indiretas e isso iria dividir o Congresso. Bolsonaro só não caiu por impeachment porque o vice era o general Mourão. Alguém que os deputados não confiavam e que podia ser uma emenda pior que o soneto.

Agora, quando o centrão pressiona para que o presidente aceite o nome da deputada Tereza Cristina (PP) como sua vice na reeleição, com a desculpa de que ela “vai atrair o voto feminino e do Agro”, deve passar um filme na cabeça de Bolsonaro. Ele deve pensar: “se Tereza, integrante do centrão, filiada ao PP, fosse minha vice em 2020, o PP teria me apoiado para eu não ser deposto?”.

A resposta é “não”.

Se tivesse um vice que passasse segurança ao centrão, Bolsonaro não seria mais presidente há dois anos.

Agora, ele pode calcular o seguinte: com a quantidade de medidas eleitoreiras que está implementando e com o prejuízo para essas medidas chegando em 2023, caso seja reeleito e sua popularidade venha a cair, como aconteceu com Dilma pelos mesmos motivos entre 2014 e 2015, qual a chance de o centrão fazer de Tereza Cristina nossa presidente num processo de impeachment bem rápido?

É grande. Muito grande.

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