Cena Política

Lula ficou em silêncio por mais de 24h sobre prisão de Milton Ribeiro. E quando falou foi para reclamar

A impressão é que o petista evita criticas sobre corrupção para não ouvir que já foi preso. E acaba defendendo o adversário.

Igor Maciel
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Igor Maciel
Publicado em 23/06/2022 às 12:00 | Atualizado em 23/06/2022 às 13:43
RICARDO STUCKERT/DIVULGAÇÃO
Lula é pré-candidato a presidente - FOTO: RICARDO STUCKERT/DIVULGAÇÃO
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Uma observação importante: alguém percebeu que Lula (PT) demorou 24h pra dar uma palavra sobre a prisão do auxiliar de seu maior adversário?

A cena de Milton Ribeiro sendo preso foi algo recorrente nos governos do PT, com integrantes das gestões sendo visitados pela Polícia Federal e levados para a prisão.

O próprio Lula passou por isso antes de ficar preso por quase dois anos.

Na prisão do ex-ministro de Bolsonaro, Lula ficou por mais de 24h sem dar um pio.

Quando resolveu falar foi para dizer em uma rádio local, no Amazonas, que não pode "prender por prender".

"A prisão depende de apuração, de prova. Você não pode prender porque vai prender. Não. Você tem prova contra o cidadão? Está provado que ele roubou? Você faz um processo e aí a Justiça decide se vai prender ou não. Eu defendo o direito à defesa para todo mundo. O direito à defesa é um valor monumental da democracia neste país. Eu não sei se (ele) já foi investigado, se tem uma autorização da Justiça para prender", declarou.

E cortou o assunto para falar de temas locais.

Preocupa a demora pra se pronunciar. E a fala atravessada também.

O PT precisa descobrir muito rápido e declarar com ainda mais rapidez como pretende tratar casos de corrupção caso Lula volte à presidência. 

Pela fala do ex-presidente, o que parece é que teremos uma polícia sob orientação de só prender em última instância. Mesmo que exista o risco de o investigado constranger testemunhas e interferir no processo.

No Brasil, sabe-se que enquanto houver dinheiro para recurso, há como atrasar bastante uma condenação.

E mesmo quando há condenação, existem muitos e muitos artifícios que se pode usar. E o próprio Lula é prova disso.

Se o principal adversário tem um auxiliar preso e o pré-candidato fica paralisado sem querer abordar o tema, como se quisesse evitar ouvir que também já foi preso, como será caso ele assuma a presidência?

Casos de corrupção serão jogados debaixo do tapete para não ter que tocar no assunto?

Mesmo em outros casos e em outras situações do governo Bolsonaro, há críticas de todos os tipos feitas por Lula. Menos sobre corrupção.

Neste caso de Milton Ribeiro, por exemplo, Ciro Gomes (PDT) fez duríssimas críticas à corrupção e a Bolsonaro.

Simone Tebet (MDB) também tratou de fazer suas críticas e deixar claro que isso não é algo tolerável.

Apesar das gravações, apesar das provas, é tolerável para Lula?

A pergunta é válida, porque a proximidade com a corrupção será o discurso de Bolsonaro contra Lula.

Silenciando ou relativizando, o petista se complica.

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