Cena Política

A "solução" para o Hospital da Restauração chegou sete anos e meio atrasada e só depois que um teto caiu

Governo quer gastar R$ 64 milhões para pagar uma OS que crie outro hospital e desafogue a Restauração. Em ano eleitoral.

Igor Maciel
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Igor Maciel
Publicado em 30/06/2022 às 8:30
DIEGO NIGRO / ACERVO JC IMAGEM
Fachada do Hospital da Restauração, no Derby, área central do Recife. - FOTO: DIEGO NIGRO / ACERVO JC IMAGEM
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Falar para o futuro é importante. Mas quem é gestor público precisa falar para o passado também.

Quando o governo de Pernambuco encaminha a contratação de uma Organização Social para abrir uma nova unidade que ajude a desafogar o Hospital da Restauração, está dizendo aos pacientes do futuro que as coisas podem melhorar.

O problema é o recado dado aos pacientes do passado, os que enfrentaram superlotação e ausência de estrutura na maior unidade de Saúde do estado.

Quando o governo fala ao futuro, gastando mais de R$ 64 milhões, somente agora no segundo semestre de um ano eleitoral, está dizendo aos pacientes dos últimos oito anos, inclusive aos que morreram, que eles foram mal atendidos porque não havia interesse ou esse interesse era insuficiente para admitir que o hospital não tinha condições de atendê-los.

A situação foi ficando cada vez pior, até o governo ser "obrigado" a gastar esse dinheiro com uma O.S.

Como se a falta de estrutura da unidade fosse uma grande surpresa que precisasse dessa medida urgente.

A urgência existe, mas tem muitos e muitos anos.

Em ano eleitoral, contratos ficam mais fáceis e tudo é urgente.

A gestão estadual sempre fez questão de fingir que estava tudo bem. Mesmo sob denúncias de falta de medicamentos básicos, de insalubridade e corredores lotados.

REPRODUÇÃO/WHATSAPP
No Hospital da Restauração, cenário é de descaso, corredores superlotados, macas no chão, famílias e pacientes angustiados - REPRODUÇÃO/WHATSAPP

Até que o teto caiu, literalmente, em pleno ano eleitoral, com o partido do governo tentando viabilizar um candidato que largou em quinto lugar nas pesquisas.

Aí, apareceu a solução imediata.

Apareceu o dinheiro que não havia.

Quem morreu antes vai acabar sendo “culpado” por ter adoecido ou se acidentado “cedo demais”.

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