Cena Política

Recuo de Bolsonaro é importante para mostrar que ele entende a situação em que está

Equipe de campanha precisou dar um choque de realidade no presidente para que ele aceitasse dar entrevista.

Igor Maciel
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Igor Maciel
Publicado em 05/08/2022 às 12:00
Foto: Reprodução/TV Globo
Entrevista de Jair Bolsonaro (PL) ao Jornal Nacional - FOTO: Foto: Reprodução/TV Globo
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O resultado de qualquer negociação é o produto das necessidades de quem precisa mais daquilo que está sendo negociado.

O recuo de Bolsonaro (PL), que impôs condições para ser entrevistado pelo Jornal Nacional, teve as cláusulas negadas e, ainda assim, aceitou o convite, é resultado da frase inicial desse texto.

Bolsonaro queria que os apresentadores do JN fossem até o Palácio da Alvorada em Brasília para que ele fosse entrevistado lá, enquanto os outros dariam entrevistas no estúdio, no RJ.

(Reprodução/TV Globo/Alan Santos/PR)
William Bonner e Renata Vasconcellos, apresentadores do Jornal Nacional, da Rede Globo e o presidente Jair Bolsonaro (PL) - (Reprodução/TV Globo/Alan Santos/PR)

A globo negou, afirmando que desde 2014 definiu que isso não aconteceria mais (como ocorreu com Lula e Dilma presidentes), porque precisava garantir tratamento igual a todos os candidatos, independente do cargo que ocupam.

A negociação teve controvérsias, com o filho do presidente publicando que a Globo tinha cedido e o entrevistaria no Palácio. Flávio Bolsonaro (PL) acabou desmentido pela emissora.

Horas depois, o presidente teria avisado aos próprios ministros que toparia e viajaria ao RJ para dar a entrevista no estúdio.

Já nesta sexta-feira (5) saiu a confirmação oficial, com uma mensagem à emissora, a campanha de Bolsonaro confirmou que ele irá para os estúdios ser entrevistado por William Bonner e Renata Vasconcellos no dia 22 de agosto.

O que significa o recuo?

Bolsonaro precisa ir.

E por mais que não tenha sido atendido, é obrigado a admitir que não existe audiência jornalística maior no Brasil do que a do Jornal Nacional e é a melhor chance possível para ele falar ao público que recebe Auxílio Brasil, por exemplo, e tentar conquistar esse público que nem sempre têm acesso à internet.

Como militar, sabe que muitas vezes é preciso recuar para avançar.

É curioso, porque a Globo é atacada constante e consistentemente há anos pelo próprio presidente e pelos seus apoiadores. Há, entre os bolsonaristas, quem defenda fechar a emissora, entre outros absurdos.

Mas, a equipe de campanha do candidato à reeleição o convenceu de que se ele não ceder, está perdido. Foi preciso dar um choque de realidade mostrando que a situação dele é difícil e ainda há chance real de Lula vencer no primeiro turno.

Se ele está realmente convencido disso e começar a mudar de atitude, já é uma evolução.

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