Cena Política

O Nordeste pode chegar a nove ministérios no Governo Federal, fora outros cargos. Resultados virão?

Confira a coluna Cena Política deste domingo (30)

Igor Maciel
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Igor Maciel
Publicado em 29/07/2023 às 20:00 | Atualizado em 29/07/2023 às 20:30
Tânia Rego/Agência Brasil
Foto oficial na cerimônia de posse do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto, com os ministros - FOTO: Tânia Rego/Agência Brasil

Uma observação e uma cobrança sobre o Nordeste nos próximos anos:

Alagoas tem um ex-governador no Ministério dos Transportes, o Ceará tem um ex-governador no Ministério da Educação, o Piauí tem um ex-governador no Ministério do Desenvolvimento Social, Pernambuco tem representantes nos ministérios da Pesca, Ciência e Tecnologia, além da Defesa.

Sem falar, ainda sobre os pernambucanos, em Silvio Costa Filho (Republicanos) que aguarda para saber qual pasta vai assumir.

Tem mais…

O Maranhão tem um ex-governador no Ministério da Justiça.

O Rio Grande do Norte ocupa cargos na administração federal pela proximidade da governadora Fátima Bezerra (PT) com o governo Lula.

A Paraíba está representada hoje na coordenação do Consórcio dos governadores do Nordeste.

…e mais

O ministro-chefe da Secretaria-geral da Presidência da República é Márcio Macêdo, ex-deputado sergipano.

O presidente do BNB é um ex-governador pernambucano, Paulo Câmara. E o superintendente da Sudene é Danilo Cabral, um ex-deputado pernambucano.

Essa lista imensa é uma prova de que não faltam espaços para os nordestinos em cargos de poder, estratégicos para a execução de políticas públicas.

Articulação

O que precisa haver no Nordeste é articulação, disposição para dar as mãos e trabalhar pelo Nordeste.

Não é preciso gostar do governo Lula para entender que a chance de a região dar um salto em seu desenvolvimento, inclusive com a reforma tributária que pode reequilibrar a distribuição da arrecadação, é enorme.

Isso só vai acontecer se todos esses atores conseguirem se entender e trabalhar juntos. A oportunidade é imensa, talvez inédita de ter tantas representações de uma mesma região em postos tão importantes e decisivos.

Ignorar ou menosprezar isso é ruim para o Nordeste. Esse povo precisa se unir.

Juntando

A Sudene tem papel importante nessa tarefa. O órgão foi esvaziado nos últimos anos e passou a ser considerada um peso morto para a região.

Seria ingenuidade acreditar que ela pode ter o papel que tinha na época de Celso Furtado. Isso é impossível.

Mas é necessário aproveitar o momento e a possibilidade de união desses atores, de todos os estados do Nordeste, para tentar ressignificar a instituição como indutora de desenvolvimento.

A Sudene precisa ser vista como um instrumento para o futuro e não como uma ferramenta do passado.

Os ônibus

Sentar à mesma mesa e discutir ações conjuntas para problemas compartilhados só não é possível se todos tiverem interesses pessoais divergentes ou forem omissos. A situação dos ônibus no Grande Recife é um exemplo.

Desde a última quarta-feira (26) começou uma greve e até a sexta-feira (28) nem a governadora e nem os prefeitos da Região Metropolitana do Recife tinham se pronunciado.

Responsabilidade

Raquel emitiu nota na própria sexta. Os prefeitos, nem isso. Vale lembrar que, no sistema atual, mais de 70% das linhas passam pela capital.

Os gestores fingem que não tem nada a ver com a situação, mas são os habitantes dessas cidades, inclusive seus eleitores, que utilizam o serviço todos os dias. A responsabilidade deveria ser compartilhada e a preocupação também.

Conselho Metropolitano

A mesma coisa aconteceu, recentemente, no caso dos desabamentos de prédios condenados em Olinda e Paulista. Há problemas parecidos em vários outros municípios, mas uma dificuldade imensa para que os iguais se reúnam e busquem soluções.

Talvez fosse o caso de alguém reavivar o Sistema Gestor Metropolitano, com o Conselho de Desenvolvimento Metropolitano que muitos nem sabem que existe. Se brincar, nem os prefeitos sabem.

O SGM foi criado pela Lei Complementar 382/2018. A Agência CONDEPE/FIDEM, do governo estadual, é a responsável por reunir esse povo.

O jeito Raquel

Não cabe agora discutir os motivos que levaram à troca de dois secretários do governo Raquel Lyra (PSDB). O secretariado é responsabilidade da governadora e é de livre nomeação.

Mas chama a atenção o jeito como as coisas acontecem nessa gestão. Um secretário se demite às vésperas de um evento importante da pasta dele. E depois vêm duas exonerações, como as da Agricultura e da Mulher, divulgadas por volta das 22h de uma sexta-feira e informadas à imprensa por nota, sem maiores detalhes.

Desde o início se fala muito no "jeito Raquel de governar". A forma aparentemente improvisada como a equipe é substituída parece ser mais uma "inovação".

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