Cena Política

Túlio será lançado no Recife pela segunda vez. E pode ser rifado de novo

Confira a coluna Cena Política desta quarta-feira (28)

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Igor Maciel

Publicado em 27/02/2024 às 20:00
Análise
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Na expectativa de ser anunciado pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), como o candidato da Rede Sustentabilidade à Prefeitura do Recife, Túlio Gadêlha (Rede) virou o mais recente ponto de discórdia entre sua madrinha e Heloísa Helena (Rede) dentro do partido.

O deputado federal pernambucano será lançado, mas não tem qualquer garantia de que irá mesmo disputar o cargo. A vaga já foi acertada para ser de outra parlamentar pernambucana, mas do PSOL.

Dani

No Recife, Heloísa Helena já entrou em acordo com o PSOL para que a deputada estadual Dani Portela (PSOL) seja a candidata. PSOL e Rede formam uma federação, com o detalhe (imenso) de que o partido de Marina Silva e Heloísa Helena tem apenas 30% das “ações”. Quem manda é o PSOL, com 70% do controle do grupo.

Personagens

Além disso, Marina e Heloísa vivem em pé de guerra desde 2022, quando uma queria apoiar Lula e a outra não. Tornaram-se adversárias e praticamente estão enterrando o partido, que perdeu o único senador, Randolfe Rodrigues, no meio dessas e de outras confusões.

No fim, Marina, que apoiou Lula, virou ministra. Heloísa seguiu afastada do governo federal.

Recorrente

Túlio tenta ser candidato no Recife desde 2020, quando estava no PDT. Na época, acreditou na conversa do presidente nacional do partido, Carlos Lupi (PDT), que o usou para negociar um apoio a João Campos (PSB) e emplacou Isabella de Roldão (PDT) como vice-prefeita.

Túlio terminou rifado e saiu da sigla se sentindo traído. Foi ingênuo, mas tinha razão na bronca.

Boulos

Agora, é provável que aconteça algo parecido, já que para Túlio disputar a prefeitura teria de haver um acordo tirando Dani Portela do jogo. Não é fácil.

Para o deputado federal ser candidato, a Rede teria que possuir algum ativo político para negociar com Guilherme Boulos (PSOL) em São Paulo, onde o líder do PSOL será candidato a prefeito. Boulos teria como intervir em Pernambuco. Um apoio da Rede a ele na capital paulista poderia obrigar o PSOL a rifar Dani no Recife e lançar Gadêlha.

Mas isso é só teoria. A prática é diferente.

Negociar como?

O problema é que a Rede não tem nada com valor para oferecer a Boulos na capital paulista. O partido de Marina só tem um parlamentar com mandato em Brasília e ele não serve de nada na negociação porque não é de São Paulo, mas de Pernambuco: seria o próprio Túlio.

Sem tensão

Existe um motivo para que o Supremo Tribunal Federal não esteja nem um pouco preocupado com a quantidade de gente que Bolsonaro (PL) colocou nas ruas no último domingo (25). Independente de o público ter sido 185 mil ou dois milhões. A tensão sobre o que pode acontecer caso ele seja preso já passou e nada mais preocupa.

Isso se dá por causa do 8/1, quando apoiadores bolsonaristas invadiram e depredaram as sedes dos três poderes da República.

Cenário antecipado

Com o ataque de janeiro de 2023 houve um tipo de “antecipação de pior cenário possível”. O máximo que pode acontecer caso Bolsonaro seja preso é algo próximo daquilo e aquilo não acontecerá mais porque as instituições, dessa vez, estarão preparadas.

É por isso que, logo após o ato convocado pelo ex-presidente, a Polícia Federal seguiu dizendo que agora tem novas provas e os ministros do STF também seguiram tranquilos para tocar o processo que deve terminar em prisão para o capitão.

O pensamento de todos: o máximo que poderia acontecer já aconteceu e a vida seguiu, então “não há o que temer”.

Placar

A propósito, longe de estarem tensos com a manifestação de domingo, a discussão esta semana no STF é se o placar da condenação de Bolsonaro será 9x2 ou 5x0. Os ministros dialogam sobre a possibilidade de o ex-presidente ser julgado no plenário, com todos os 11 ministros (inclusive os indicados por ele), ou na segunda turma, com apenas cinco.

Esforço de incompetência

É preciso um trabalho árduo de incessante abandono da segurança pública e muito esforço incompetente para se chegar ao resultado que Pernambuco chegou na questão do efetivo policial. Os policiais do estado foram se aposentando, deixando a corporação, e o governo passou a última década fingindo que não tinha nada com isso, enquanto a violência aumentava e facções criminosas iam tomando conta da Região Metropolitana do Recife.

Nem metade

Deveríamos ter quase 30 mil policiais e só temos 16 mil. Chegou-se a um ponto em que a atual gestão determinou-se a fazer concurso para 2,5 mil vagas, ampliou para 5 mil e, ainda assim, não vai cobrir nem metade do que é necessário para recuperar o efetivo.

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