OPINIÃO

Cinemateca, prometida à Regina Duarte, já não paga nem serviços de segurança

A conta de luz está para ser cortada e, se acontecer, há risco de incêndio em razão da refrigeração 24 horas. O governo resolveu rescindir o contrato de gestão

Cláudio Humberto
Cláudio Humberto
Publicado em 03/06/2020 às 8:01
Notícia
RONALDO CALDAS/DIVULGAÇÃO/MINC
O contrato da Cinemateca com a Roquette Pinto de R$ 1,2 milhão mensais paga salários e as contas de água, luz etc. A dívida totaliza cerca de R$ 11 milhões - FOTO: RONALDO CALDAS/DIVULGAÇÃO/MINC
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O risco de incêndio

Sem repasses do governo federal há meses, a Cinemateca Brasileira, responsável pela memória da produção audiovisual nacional, corre risco até de incêndio, segundo adverte a Roquette Pinto, associação que faz a sua gestão. A Cinemateca prometida pelo presidente Jair Bolsonaro à atriz Regina Duarte já não paga nem serviços de segurança. A conta de luz está para ser cortada e, se acontecer, há risco de incêndio em razão da refrigeração 24 horas. O governo resolveu rescindir o contrato de gestão. A refrigeração funciona 24h no prédio da Cinemateca porque “o material fílmico é altamente inflamável”. “Pega fogo sozinho”, alertam os gestores. O contrato com a Roquette Pinto de R$ 1,2 milhão mensais paga salários e as contas de água, luz etc. A dívida totaliza cerca de R$ 11 milhões. O ofício ao Ministério do Turismo pede esclarecimentos e “reunião urgente” para evitar prejuízos ao arquivo da Cinemateca e ao setor. A melhor condução é “regularizar o contrato em vigor (até 2021) e pagar as despesas já realizadas”, diz um documento da Roquette Pinto.

“Vândalos” de atos como terroristas

O vice-líder do governo na Câmara dos Deputados, Carlos Jordy (PSL-RJ), apresentou ontem um projeto para alterar a Lei Antiterrorismo e incluir grupos (autointitulados) antifascistas, como o “Antifa” e outros movimentos organizados, que promovam quebradeira e danos ao patrimônio sob a desculpa de “manifestação”. Segundo Jordy, “crime organizado não pode se esconder atrás de figura de protesto social”. O projeto dá nova redação ao Artigo 2º da Lei 13.260, de 16 de março de 2016, que define o terrorismo. Para o deputado, esses grupos violentos praticam atos que já são tipificados como condutas consideradas próprias de terrorismo. Nos últimos dias, copiando atos de grupos dos EUA, a versão brasileira do Antifa também vem promovendo quebra-quebra em protestos.

Novo

O partido Novo avisou o TSE que não vai usar seus R$ 36 milhões do indecoroso fundo eleitoral, como em 2018. Os R$ 2 bilhões do fundão comprariam 26 milhões de testes de covid ou 20 mil respiradores.

Aliança

A nova versão hacker “Anonymous” é intrigante: como no inquérito do Supremo Tribunal Federal contra as supostas fake news, vazaram apenas dados pessoais do presidente da República e bolsonaristas.

Decisão

O STF decidiu que prefeitos e governadores são os responsáveis por decidir os critérios do isolamento. Mas a Justiça do Rio não concordou e proibiu a prefeitura de Búzios de promover reabertura gradual da cidade.

Tamos aí

Michel Temer diz estar aposentado, mas não para. Nesta quarta, ele será entrevistado pelo jornalista Joel Silva, da Rádio Capital FM, de Campo Grande (MS). Como se diz no Nordeste, esse 'defunto' quer reza.

Frase

“As instituições funcionam normalmente”, procurador-geral da República, Augusto Aras desfaz a fantasia (de todos os lados) de ‘golpe’

Casuísmo

Entidade de parte do Ministério Público Federal criou a “lista tríplice” para garantir um dos seus associados no posto do procurador geral da República, deixando de fora os demais ramos do MP da União. Agora faz lobby para tornar isso “constitucional”. O oportunismo não deve vingar.

Indústria

Levantamento FSB Pesquisa com 1.017 empresas industriais indica que 82% não fizeram demissões, apesar de 66% delas reconhecerem queda do faturamento nos últimos 45 dias. Outros 59% esperam retomar as atividades no mesmo nível após a pandemia, e 23% esperam aumento.

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