INFLAÇÃO

INFLAÇÃO: R$ 100 do início do Real valem hoje R$ 13,91. Como a inflação corrói o poder de compra

De 1994 até hoje a inflação acumulada é de 653%. A sensação de custo de vida elevado aumenta com a queda na renda dos trabalhadores

Edilson Vieira
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Edilson Vieira
Publicado em 29/07/2022 às 17:51 | Atualizado em 29/07/2022 às 21:48
José Cruz/Agência Brasil
Segundo o IBGE, a renda média dos trabalhadores recuou 5,1% no segundo trimestre deste ano - FOTO: José Cruz/Agência Brasil
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Desde a criação da nova moeda Real, em julho de 1994, até hoje, a inflação no Brasil registra o acumulado de 653%.

Na prática, significa que os R$ 100 de 28 anos atrás hoje compram o mesmo que apenas R$ 13,91. Fazendo as contas de maneira inversa, se quiséssemos comprar agora a mesma cesta de produtos que R$ 100 compravam em 1994, precisaríamos de R$ 748 em 2022.

Os cálculos são do economista Bruno Imaizumi, da LCA Consultores. Ele explica que o Plano Real, criado no governo de Fernando Henrique Cardoso, foi bastante eficiente para controlar a hiperinflação que, na época, ultrapassava os 4.500%. Algo inimaginável nos dias de hoje.

"Os dois dígitos da inflação de hoje parecem quase nada", mas a espiral atual de inflação merece atenção, diz o economista.

"A inflação foi bastante pressionada na última década. Nós mal saímos da crise de 2015 e 2016 e veio a pandemia, que foi muito mal gerida e deixou outras marcas negativas na economia e no mercado brasileiro", afirma.

Bruno diz ainda que a população mais pobre sentiu menos os efeitos da inflação nos primeiros anos do Plano Real até porque o salário mínimo era reajustado acima da inflação, tendo ganho real. Em 1994 o salário mínimo era de R$ 64,79 e chegou aos atuais R$ 1.212, uma alta de quase 1.800%.

"O problema é que nos últimos dois anos de pandemia, a gente observou a redução do poder de compra vinda dos dois lados. Tanto pela inflação, que é mundial, mas afeta mais as economias em desenvolvimento, como a brasileira, e também pelo lado dos salários, com a população ganhando menos", destacou Bruno. 

O economista diz que o atual movimento de precarização do trabalho assusta, mas é uma consequência de uma economia mais dependente de tecnologia e menos de capital humano. Para piorar, esbarramos em falhas estruturais na educação.

"O brasileiro, geralmente, não sai qualificado do ensino médio, técnico ou superior com habilidades necessárias para preencher as vagas que as empresas demandam", diz Bruno.

As consequências da inflação no Brasil

Redução da atividade comercial, compras de produtos de qualidade inferior e inadimplência em níveis recordes são consequências do cenário de inflação aliada a queda na renda do trabalhador brasileiro.

Segundo o IBGE, a renda média dos trabalhadores recuou 5,1% no segundo trimestre deste ano, em relação ao mesmo período de 2021, ficando em R$ 2.652, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua divulgada nesta sexta-feira (29).

Além disso, o número de trabalhadores informais atingiu recorde de 39,3 milhões de pessoas no segundo trimestre de 2022.

É o maior contingente da série histórica, iniciada no quarto trimestre de 2015. Um risco que pode haver é de o Brasil começar a emitir moedas de valor maior, para conter custos com a impressão de dinheiro, mesmo em uma época de expansão do dinheiro digitalizado.

"Se a gente continuar tendo governos populistas que não tomem decisões racionais de curto, médio e longo prazo para população é possível até que a gente veja o lançamento de cédulas de maior valor", afirma.

Mas Bruno acredita que a inflação, como problema mundial, vai ser reduzida nos próximos meses.

"Ou por via de alguns estímulos governamentais e até porque o pior já passou em alguns setores. Tivemos vários choques de ofertas e demanda ao longo dos últimos dois anos, não apenas causados pela pandemia mas pela guerra também", finalizou Bruno Imaizumi, da LCA Consultores.

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