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A bolsa de valores impacta na sua vida, sim

No momento que vivemos, o fator que mais afeta, e aí não só na bolsa brasileira, é o clima de incerteza que o sobe e desce gera

Leandro Trajano
Leandro Trajano
Publicado em 12/04/2020 às 0:01
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LEO MOTTA/ACERVO JC IMAGEM
A nossa construção financeira é feita no dia a dia, entre planejamento, economia, formação de reserva e bons investimentos - FOTO: LEO MOTTA/ACERVO JC IMAGEM
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Os dias passam, a quaresma acabou, chega o domingo de Páscoa, ele passa, a quarentena fica. A maior parte das pessoas respeitando, acatando, outras não podem devido ao trabalho que executam, outras por teimosia, mas tudo isso vai passar, e saber viver, enfrentar tudo isso com serenidade e a maior lucidez possível, termina sendo muito importante. A busca pelo equilíbrio emocional, físico, social, e profissional eu diria. Afinal, tudo isso, para muitos, está sendo vivido no mesmo ambiente, de certa forma não tem pra onde correr, exercícios em casa, emoções, convívio, trabalho, lazer e mais, o ritmo se torna frenético para uns, outros trocam parte do dia pela noite, e no final, cada um vive e encara da sua maneira. Mas vamos para o assunto de hoje: a bolsa de valores. Minha ideia aqui é desmistificar e falar um pouco dela, de forma simples e direta, do impacto que esse sobe e desce da bolsa causa para quem nem sabe ao certo como funciona, para quem não investe em ações (a esmagadora maioria dos brasileiros), efeitos, consequências e mais, a bolsa em sua vida, em nossas vidas.

 

No momento que vivemos, o fator que mais afeta, e aí não só na bolsa brasileira, é o clima de incerteza que o sobe e desce gera. Digo não só no Brasil, pois sabemos que a questão do coronavírus é mundial, porém, países subdesenvolvidos como o nosso sofrem mais, sentem mais o reflexo.

 

Esse clima de incerteza leva as empresas a adiar decisões, projetos de expansão são postergados ou até cancelados, investimentos em sua maioria não tem avanços, e com isso surgem menos oportunidades, menos empregos são gerados, o capital que seria injetado na economia fica “parado”. A cadeia é essa: menos empregos, menos gente com dinheiro na mão para levar pro seu dia a dia, para movimentar o mercadinho do bairro, o transporte público, o comércio e serviços como um todo, isso não só em tempos de pandemia, o ciclo se repete quando o clima é instável, desta forma, o investidor estrangeiro tem a sua confiança atingida, e tende a procurar países para investir de forma mais segura, correndo para ativos considerados mais seguros, migram, por exemplo, para títulos da dívida pública americana, para o dólar, e o que isso tem a ver conosco?

 

É menos dinheiro girando em nossa economia, perda no curto prazo para quem está na bolsa, o que não deve impactar de forma definitiva para quem pensa no longo prazo. E para quem nem sabe como a bolsa funciona, pode sofrer consequências negativas também, o desemprego pode aumentar e a inflação subir, tornando os itens na prateleira mais caros.

 

No momento, já vimos algumas mudanças de preço, nem tudo devido à bolsa, mas o combustível está mais barato na maioria das capitais por exemplo, é a lei da oferta e demanda, menos carros circulando, estoque acumulado nos postos e menos receita, se faz necessário o passo pra trás, então sim, ao sair de casa para algo essencial, vale a paradinha no posto para encher o tanque.

 

Em relação aos alimentos, diferentes pesquisas apontam para direções variadas, alguns alimentos que subiram de preço, outros que caíram. Da mesma forma para outros itens no supermercado, pois os que vêm de fora, ou têm parte de sua composição com ingredientes ou insumos importados, têm sofrido grande aumento devido à alta do dólar e também pelo custo da logística, que em alguns casos teve acréscimo significativo. É hora, portanto, de fazer escolhas mais assertivas, cortar supérfluos e como tenho falado repetidamente, entender melhor o seu orçamento deste mês, aos poucos se antecipar para o mês seguinte, e com base nele, tomar decisões, atitudes.

 

Na reta final do que trago aqui para você, vemos projetos sendo engavetados, ou mesmo cancelados, a insegurança em relação à concessão de crédito, que reforça a tese de que as empresas estejam menos dispostas a se movimentar, desembolsar no sentido de expansão e contratação e, junto a isso, o clima tenso da eminente recessão em diversos países.

 

O momento não se torna nada atrativo para que a empresa abra capital e inicie na bolsa, ou seja, não devemos ver tão cedo IPO (Initial Public Offering ) acontecendo como tivemos nos últimos anos, pois a tendência de queda no preço das ações desencoraja o lançamento de novas ofertas.

 

Muitas pessoas tendem a correr para investimentos de renda fixa, o que não ajuda a economia produtiva, mas traz a segurança procurada por muitos num momento de instabilidade. Afinal, as pessoas saindo da bolsa, deixam de investir nas empresas e menos investimentos nelas, já vimos de forma clara aqui, quebra a cadeia de fomento da economia. Então vemos o desaquecimento para as empresas que estão na bolsa, que vendem menos e terminam optando por investir menos, desta forma empregam menos, demitem mais, cai a produção, a arrecadação de impostos por parte do governo, e o dinheiro que gira em nossa economia fica mais escasso, atingindo então o brasileiro que acreditava que a queda da bolsa não influencia em nada a sua vida.

 

Até o próximo domingo!

 

Leandro Trajano

 

 

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