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Jovem da Funase vira universitário. Só 7% dos internos têm ensino médio concluído

Rapaz que cumpre medida socioeducativa vai estudar educação física numa faculdade particular de Arcoverde. Maioria dos internos, no Estado, só estudou até o ensino fundamental

Margarida Azevedo
Margarida Azevedo
Publicado em 04/03/2020 às 8:00
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DIVULGAÇÃO/FUNASE
Jovem vai estudar educação física com bolsa parcial - DIVULGAÇÃO/FUNASE
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Entre os calouros que vão ingressar no curso de educação física numa faculdade particular de Arcoverde, no Sertão do Estado, está um jovem de 18 anos da Fundação de Atendimento Socioeducativo (Funase). Levantamento realizado em Pernambuco, em 2017, pelo governo estadual, revelou que somente 7% dos internos tinham o ensino médio concluído. Naquele ano, 1.469 jovens cumpriram medida socioeducativa, sendo a maioria de adolescentes pobres, pardos e de baixa escolaridade.

As aulas começam na próxima semana e o novo universitário terá uma bolsa de estudos para fazer a faculdade. “Estou muito feliz com a oportunidade que me deram. Eu sempre quis cursar educação física e os professores da Funase me incentivaram bastante. Na faculdade, vou ter várias ideias que vão me ajudar a me tornar um profissional. A vida traz muitas barreiras, mas acredito que podemos superá-las e transformar a vida das outras pessoas”, diz o jovem. O sonho dele é ser professor.

O rapaz concluiu o ensino médio enquanto já cumpria a medida de internação. Sua inscrição no vestibular foi feita pela equipe pedagógica do Case/Cenip Arcoverde, unidade em que o jovem é atendido há nove meses. As aulas na faculdade serão à noite, de segunda a quinta-feira. Como ele ainda não terminou o período de internamento, terá que voltar, todos os dias, após as aulas, para as instalações da Funase.

A expectativa é de que a história do agora universitário motive outros adolescentes. "É uma alegria participar do processo formativo dele. Isso nos mostra que o trabalho na educação está sendo eficaz. Além disso, o apoio da família vem ajudando muito na mudança desse aluno. Espero que ele tenha um futuro brilhante daqui para frente, conheça novas pessoas e aprenda muito com a formação ofertada", afirma a coordenadora geral do Case/Cenip Arcoverde, Paula Cibele.

DADOS

O levantamento feito em 2017 mostrou que a maior parte dos jovens comete infrações relacionadas a roubo (48%), tráfico (16%) e homicídio (9%). Um dos maiores desafios é justamente combater a reincidiência. Uma das apostas da Funase é ofertar cursos profissionalizantes. Entre 2016 e 2017, conforme o órgão, a reincidência diminuiu de 61% para 47%. Neste período, 2 mil jovens participaram de cursos profissionalizantes.

PERFIL DOS SOCIOEDUCANDOS - Dados de 2017

Idade

35% - 17 anos

23% - 16 anos

16% - 18 anos

11% - 15 anos

9% - Acima dos 18 anos

5% - 14 anos

1% - 13 anos

Sexo

Masculino: 96%

Feminino: 4%

Cor ou raça

76% - Parda

13% - Branca

11% - Negra

Escolaridade

45% - Ensino Fundamental II (6º ao 9º ano)

14% - Ensino Fundamental I (2º ao 5º ano)

13% - EJA Fase III (6º e 7º ano)

11% - EJA Fase II (4º e 5º ano)

7% - Ensino Médio

6% - EJA Fase IV (8º e 9º ano)

3% - EJA Fase I (1º ano 3º ano)

1% - Ensino Fundamental (1º ano)

Incidência por ato infracional

- Roubo: 48% dos adolescentes/jovens atendidos

- Tráfico e/ou associação para o tráfico: 16%

- Homicídio: 9%

- Tentativa de homicídio: 5%

- Porte ou posse ilegal de arma: 4%

- Furto: 3%

- Outros: 15%

Reincidência (ex-socioeducandos que voltam à Funase por terem cometido novos atos infracionais)

2015: 59,32% dos atendidos no ano

2016: 61,84% dos atendidos no ano

2017: 47,00% dos atendidos no ano

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