COLUNA ENEM E EDUCAÇÃO

Ministro Decotelli parece ser "mais do mesmo" na educação

Inicialmente a expectativa era positiva em relação ao novo ministro da Educação. Mas depois do vexame dos títulos ilegítimos, ele corre o risco de nem assumir o cargo. Posse prevista para esta terça-feira deve ser adiada

Margarida Azevedo
Margarida Azevedo
Publicado em 29/06/2020 às 18:15
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Foto: Hélia Scheppa/Acervo JC Imagem
Milhões de estudantes brasileiros necessitam de seriedade em ações como o Enem, o Fundeb e a BNCC - FOTO: Foto: Hélia Scheppa/Acervo JC Imagem
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Para qualquer profissional, colocar informações falsas no currículo pode custar a perda de uma vaga importante de trabalho. Para o novo ministro da Educação, o economista Carlos Alberto Decotelli, lhe custou, até agora, apenas o adiamento da posse no novo cargo. A cerimônia estava prevista para acontecer na tarde desta terça-feira (30), mas deve ser adiada pelo governo. Sem ainda sentar oficialmente na cadeira de ministro, Decotelli é destaque no noticiário não pelas ações que pretende adotar numas das áreas mais importantes do País e que vinha sofrendo com a falta de diálogo e de centralidade de Abraham Weintraub. Seu nome está com alta visibilidade em sites, jornais e redes sociais por ter incluído doutorado e pós-doutorado em universidades estrangeiras que não reconhecem essas titulações. E por suspeita de ter copiado trechos de seu mestrado na Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Informações de jornalistas que atuam em Brasília são de que o presidente Jair Bolsonaro exigiu que o currículo de Decotelli seja agora checado pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin), órgão federal responsável por averiguar informações oficiais. Decotelli havia colocado no currículo que tinha doutorado em administração pela Universidade Nacional de Rosário, na Argentina, mas a universidade afirmou que o ministro não teve a tese aprovada, portanto não é doutor pela instituição. O mesmo aconteceu em relação ao pós-doutorado. Decotelli informou inicialmente que teria obtido a certificação na Universidade de Wuppertal, na Alemanha. A instituição nega.

Em meio à pandemia do novo coronavírus, municípios e Estados não têm recebido apoio do Ministério da Educação (MEC). O mesmo vale para as 69 universidades federais (que, vale destacar, têm reitores com doutorados e pós-doutorados legítimos). O debate sobre o Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) precisa avançar com a máxima urgência para garantir que milhões de alunos de escolas públicas continuem com suas escolas recebendo financiamento para manter as condições de aprendizagem. Mas infelizmente as notícias de educação no Brasil hoje são sobre a (má) conduta de Decotelli.

Um bom educador deve dar bons exemplos, ser transparente e sobretudo manter vínculo de confiança. O mesmo vale para quem ocupa cargos públicos. O nome do novo ministro, inicialmente bem recebido por entidades ligadas à educação e pessoas que militam na área (sobretudo pela possibilidade de ter um gestor que se mostrou disposto a debater sobre as reais necessidades da educação, algo que tanto fez falta no seu antecessor) já não é mais tão bem visto. Depois desse vexame, ele corre o risco de perder o cargo antes mesmo da posse. Sofre, de novo, lamentavelmente, a educação brasileira, que esperava um ministro capaz de recuperar o tempo perdido com Weintraub e Vélez.

 

 

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