COLUNA ENEM E EDUCAÇÃO

Cursinhos fazem vaquinha para bancar internet para jovens carentes estudarem para Enem

Campanha 4G para estudar foi lançada nesta terça-feira e arrecadou R$ 100 mil. Dois oito cursinhos participantes, três são de Recife

Margarida Azevedo
Margarida Azevedo
Publicado em 09/06/2020 às 18:01
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Pré-vestibular comunitário Carolina de Jesus ajuda jovens carentes a se prepararem para o Enem no Recife - FOTO: Divulgação
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Com a suspensão das aulas presenciais por causa da pandemia do novo coronavírus, alunos mais carentes estão com dificuldades em manter a preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) porque não têm acesso à internet. Pensando nisso, um coletivo de cursinhos comunitários se juntou e lançou a campanha 4G para estudar, a fim de arrecadar recursos para bancar chips e pacote de dados para estudantes que participam dos pré-vestibulares. Em menos de 12h eles conseguiram mais de R$ 100 mil, a meta inicial. Agora querem chegar a R$ 350 mil para contemplar 7 mil vestibulandos.

Três desses cursinhos atuam no Recife. Um deles é o Pré-vestibular comunitário Carolina de Jesus, que mantem duas turmas com um total de 122 alunos. As aulas acontecem na Mustardinha, Zona Oeste do Recife, e na Linha do Tiro, na Zona Norte. Outro é o Projeto Rumo à Universidade, que funciona com voluntários no campus da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Atende 700 jovens. O terceiro é o Pré-vestibular Solidário, que também acontece na UFPE e reserva 10% de suas vagas para transexuais e travestis.

É fácil contribuir. Basta acessar o link e escolher uma dos valores disponíveis, que podem ser pagos com cartão de crédito ou boleto bancário. A menor contribuição é de R$ 20 e dará para bancar dois chips para jovens carentes. Com R$ 50, o doador custeará um plano de internet para um estudante. Ao desembolsar R$ 150, três vestibulandos serão beneficiados. Se a doação for de R$ 400, oito alunos terão internet para estudar. O valor mais alto, R$ 1.000, vai proporcionar acesso à web para uma turma inteira.

João Gabriel Silva, 18 anos, mora no Jordão Baixo, Zona Sul do Recife. Acabou o ensino médio em 2019, numa escola da rede pública estadual. Seu sonho é cursar medicina veterinária. Ele é aluno do cursinho Carolina de Jesus. "Não tenho acesso à internet. Uso emprestada de um vizinho. É ruim porque ele mora distante três casas da minha. Então muitas vezes cai. Preciso ir para o terraço estudar e isso atrapalha minha concentração", conta João. "Seria ótimo ter internet para continuar estudando para o Enem", diz o rapaz. A família vive do salário do pai dele, aposentado, e do Bolsa Família de um dos irmãos dele.

“Temos entre 30 e 35 alunos sem acesso regular à internet. Com a pandemia, nossas aulas estão sendo virtuais e é muito importante que todos os 122 estudantes acompanhem as atividades”, afirma Priscila Araújo, coordenadora do polo Mustardinha do cursinho Carolina de Jesus.

TAXA DO ENEM

Outra ação voltada para jovens carentes é o Pretos no Enem. O objetivo é conseguir padrinhos para pagarem a taxa de inscrição no Enem, no valor de R$ 85, para candidatos negros que não têm condições de arcar com esse valor. O prazo para pagar a taxa do exame acaba nesta quarta-feira (10). 

A ação nasceu entre podcasters cearenses e está sendo desenvolvida coletivamente por internautas de outros Estados do Brasil. Serão beneficiados estudantes negros em situação de vulnerabilidade socioeconômica.

Quem quiser apadrinhar um aluno tem que preencher um formulário informando apenas quantos boletos que pagar e o contato. Não há transferência de dinheiro, taxa ou qualquer movimentação financeira. O interessado se cadastra e a campanha entra em contato com um estudante, que envia o boleto da sua inscrição. O doador efetua o pagamento e encaminha o comprovante. 

Vestibulandos que se enquadrem no perfil de beneficiados também podem se cadastrar para que consigam pessoas que paguem suas inscrições.

 

 

 

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