COLUNA ENEM E EDUCAÇÃO

No Recife, alunos estão sem aula a distância porque esperam por celulares

Oferta de ensino a distância, nas escolas da rede municipal de Recife, foi condicionada a doações de smartphones. Só 332 alunos, de um universo de 12.500 dos anos finais do ensino fundamental, receberam os aparelhos até agora

Margarida Azevedo
Margarida Azevedo
Publicado em 19/06/2020 às 20:47
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FILIPE JORDÃO/JC IMAGEM
Mãe de três filhos, Gracilene lamenta que a filha do meio, Bianca, aluna da rede municipal, não tem aulas remotas. A mais velha assiste a aulas do Educa-PE e o caçula recebe tarefas da escolinha privada - FOTO: FILIPE JORDÃO/JC IMAGEM
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Ainda falta muito para que todos os 12.500 alunos do 6º ao 9º ano do ensino fundamental da rede municipal da capital pernambucana participem das aulas remotas promovidas pela Secretaria de Educação do Recife. Até esta sexta-feira (19), apenas 332 estudantes do 9º ano, de um universo de 2.500 alunos dessa série, estavam acompanhando as atividades de educação a distância. A plataforma foi lançada no último dia 8, quase três meses depois da suspensão das aulas presenciais em Pernambuco em colégios e faculdades, por causa da pandemia do novo coronavírus, completados nesta quinta-feira (18).

A oferta das aulas remotas para cada turma está condicionada à disponibilidade de smartphones, novos e usados, que a gestão municipal está recebendo por meio da campanha “Escola do Futuro em Casa; Doe um celular. Doe conhecimento”. A meta da prefeitura é entregar um aparelho para cada aluno dos anos finais do ensino fundamental e custear o pacote de dados de acesso à internet. Inicialmente, a prioridade é para os estudantes do último ano pois muitos participam de processos seletivos para ingresso em escolas técnicas.

O ingresso de novas turmas é por etapas, por ordem decrescente das séries, conforme os celulares forem sendo arrecadados. Para a próxima semana está prevista a entrega de mais 46 telefones. “Os estudantes têm três aulas por dia, totalizando três horas. Um diferencial é que as atividades não são gravadas. Os professores estão ao vivo, virtualmente, com seus alunos”, explica a diretora executiva de Gestão Pedagógica da Secretaria Municipal de Educação, Áquila Melo.

Aluno do 9º ano da Escola Municipal André de Melo, localizada na Estância, Zona Norte do Recife, Glaucio Oliveira Júnior, 14 anos, acompanhou a primeira aula online ontem. “Gostei. Tive aulas de ciências, português e matemática. É diferente ser pelo celular, mas deu para aprender”, contou. “Poderiam ter começado antes, demorou muito. Mas foi bom pois se não tivesse ganhado o telefone, não teria como estudar”, afirmou o adolescente.

Para as crianças dos anos iniciais (1ª à 4ª série), a prefeitura está enviando material pedagógico e as escolas têm autonomia para desenvolver atividades com seus alunos. Mãe de Bianca Gabriele, do 3º ano da Escola Municipal Deus é Amor, no Alto do Pascoal, Gracilene Gomes lamenta porque a filha não está tendo aulas remotas.

“Acho ruim. Minha filha mais velha estuda numa escola do Estado e acompanha as aulas pelo celular. O caçula está num colégio particular e recebe tarefas. Para Bianca só vem uns livros quando entregam a cesta básica”, afirma.

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