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Aulas presenciais suspensas em escolas e faculdades de Pernambuco a partir do dia 18 de março

Medida faz parte de um conjunto de ações anunciado pelo governo estadual como tentativa de conter o avanço da pandemia de covid-19

Margarida Azevedo
Margarida Azevedo
Publicado em 15/03/2021 às 15:43
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BRENDA ALCÂNTARA/JC IMAGEM
Na rede privada, escolas iniciaram ano letivo de 2021 na primeira semana de fevereiro - FOTO: BRENDA ALCÂNTARA/JC IMAGEM
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As aulas presenciais em todas as escolas, faculdades e universidades de Pernambuco, públicas e privadas, estão suspensas a partir da próxima quinta-feira (18), por determinação do governo estadual como uma das ações para conter a covid-19. A proibição será válida até dia 28, ou seja, alunos e professores terão aulas remotas por 11 dias. Na quinta-feira (18) completa exatamente um ano que a mesma medida foi tomada.

A educação básica, em Pernambuco, tem cerca de 1,8 milhão de alunos, sendo 1,4 milhão na rede pública e 400 mil na rede privada, conforme o Censo 2020 do Ministério da Educação. Somente as turmas de educação infantil e ensino fundamental das escolas públicas não estavam autorizadas a ter o ensino presencial. Essa liberação começaria a partir de quinta, mas agora deixa de valer.

O ano letivo nos colégios particulares, para todas as etapas da educação básica, começou na primeira semana de fevereiro, no modelo híbrido (aulas presenciais e virtuais). Na rede estadual, só os estudantes do ensino médio começaram o ano escolar, em 4 de fevereiro, com atividades também híbridas.

Nas escolas municipais e no ensino fundamental da rede estadual os alunos iniciaram o ano letivo de 2021 apenas com aulas remotas. Até esta segunda-feira (15), Pernambuco tinha registrado 318.449 casos da covid-19 e 11.411 mortes, segundo a Secretaria Estadual de Saúde.

Com a quarentena valendo até 28 de março, a Secretaria de Educação de Pernambuco informa que vai anunciar um novo calendário autorizando as aulas presenciais na rede pública (educação infantil e ensino fundamental).

REPERCUSSÃO

O presidente do Sindicato das Escolas Particulares de Pernambuco (Sinepe), José Ricardo Diniz, defende a manutenção dos colégios abertos. "A escola deveria funcionar sempre, por ser um espaço que contribui decisivamente para o enfrentamento de uma pandemia, pelo seu papel educativo e regulador com crianças e adolescentes. Em casos extremos, ser a última atividade a fechar e a primeira a abrir", destaca.

"Continuamos no firme argumento, com base em consistentes estudos e pesquisas, de que a escola é o lugar de maior controle e aprendizado para a criança, o adolescente conviverem com uma pandemia.
Cada pai já é um fiscal natural de como a unidade escolar está cumprindo o protocolo estabelecido pela autoridade competente", complementa José Ricardo.

"Estar fora da escola, principalmente para os filhos das camadas menos favorecidas, significa estar nas ruas, com seus vícios, ou sofrendo violência doméstica, ampliando, cada dia mais, o fosso social. O risco de uma tragédia geracional, de âmbito planetário, é muito grande", observa o presidente do Sinepe.

A vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe), Ivete Caetano, aprovou a suspensão das aulas, um pleito dos docentes da rede estadual. "O sentimento da categoria é de medo, de aflição e de revolta porque as escolas estaduais estavam abertas. É um momento grave e preocupante da pandemia", destaca Ivete.

"Neste momento de recrudescimento da pandemia, os protocolos não impedem o aumento das novas contaminações e a educação básica, assim como a sociedade, tem grande dificuldade de usar máscaras. O distanciamento na escola perde sentido quando estudantes e professores pegam ônibus superlotados para chegar à escola. A medida mais acertada para garantir a saúde e a vida é a suspensão das aulas e atividades presenciais", diz Ivete.

Para o sindicato dos professores de escolas privadas, a medida também é acertada. "Uma decisão sensata, vai de encontro da ciência. Daí a falta de coordenação por parte do ministério, deixando prefeitos e governadores tomando suas decisões, só podia chegar a essa situação que estamos atualmente. O covid-19 avança contagiando e matando nosso povo. Só as restrições podem barrar o avanço do vírus", ressalta o presidente do Sindicato dos Professores de Pernambuco (Sinpro), Helmilton Bezerra.

ENSINO SUPERIOR

O Sindicato das Instituições de Ensino Superior Particular de Pernambuco (Siespe) diz que aguarda a publicação do decreto. A entidade ressalta que, até o momento, apenas as aulas práticas estavam sendo realizadas de forma presencial, seguindo os mais rígidos protocolos de segurança.

"Informamos que o Siespe orienta as instituições de ensino a manterem apenas as aulas remotas, seguindo a determinação do governo. Neste momento difícil, pedimos a todos empenho e colaboração com as políticas de prevenção, respeitando o distanciamento social e uso de máscaras", afirma a entidade.

Reitor da Universidade de Pernambuco (UPE) e presidente do Consórcio Universitas, que reúne UFPE, UPE, UFRPE, IFPE, IF Sertão PE, Ufape, Unicap e Univasf, Pedro Falcão disse que a suspensão não altera tanto o funcionamento das instituições porque a maioria delas estava com aulas remotas. Apenas algumas atividades práticas estavam ocorrendo presencialmente e mesmo assim com restrições.

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