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UFPE e UFRPE suspendem emissão de declaração para que estagiários tomem vacina contra covid-19

Representantes das duas universidades pediram esclarecimentos à Secretaria Municipal de Educação do Recife

Margarida Azevedo
Margarida Azevedo
Publicado em 31/05/2021 às 15:19
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PAULO DANIEL/JC IMAGEM
Recife tem pontos de drive-thru para vacinação contra Covid-19. - FOTO: PAULO DANIEL/JC IMAGEM
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As Universidades Federal de Pernambuco (UFPE) e Federal Rural de Pernambuco (UFPE) decidiram suspender a emissão de declaração de alunos que estão estagiando para que recebam a vacina contra a covid-19. A medida foi tomada diante do questionamento de alguns estudantes, entre eles do curso de direito da UFPE, em relação a quem teria direito à imunização.

As universidades informam que a suspensão valerá "até que seja publicada nova orientação por parte do município do Recife, conforme definido na reunião ocorrida às 10h desta segunda-feira (31)", explicam UFPE e UFRPE em nota.

Esse encontro, realizado pelo Consórcio Universitas e a Secretaria Municipal de Educação, serviu para "dirimir quaisquer questões quanto à abrangência das autorizações de vacinação para estudantes com vínculo contratual de estágio com as instituições de ensino", ressaltam em comunicado conjunto.

"As representações institucionais presentes na reunião solicitaram detalhamento explícito quanto à vacinação dos estagiários das universidades. Tão logo tenhamos o novo posicionamento e informações atualizadas, daremos ampla publicidade à comunidade acadêmica", complementam as universidades.

A UFPE ressalta que "a definição de critérios de vacinação, públicos e etapas são de responsabilidade das autoridades sanitárias, e não da universidade", diz. Afirma que apenas cumpre o estabelecido pelo Estado e pelos municípios.

COMUNICADO DA UFPE

COMUNICADO DA UFRPE

QUESTIONAMENTOS

Em uma carta enviada para imprensa, um grupo de alunos de direito da UFPE disse que a coordenação do curso informou que "estudantes de qualquer curso que estagiam, em qualquer área ou setor, em qualquer empresa, escritório, ou órgão público, estariam sendo contemplados pelo plano de vacinação da prefeitura".

Segundo esses alunos, a universidade teria informado que "os estudantes estagiários, de qualquer curso e de qualquer universidade, estariam sendo enquadrados como “profissionais da educação”, englobados na 4ª fase do PNI e nos novos grupos que foram contemplados no plano de vacinação da cidade do Recife, divulgados recentemente".

"Ao recebermos as informações, indagamos se estaria havendo algum erro de interpretação por parte da universidade, tendo em vista que a Prefeitura se utiliza da expressão “estagiário com vínculo contratual com as instituições de ensino”, o que deveria se referir apenas a estagiários que trabalham nestas próprias instituições (estagiários que prestam serviço às instituições de Ensino", destacam os estudantes, na carta.

"O questionamento se dá não apenas pelo fato de que estagiários de direito ou vários outros cursos não podem ser entendidos como "profissionais da educação”, mas principalmente por estarmos em um contexto de escassez de vacina, considerando que boa parte da população brasileira ainda não foi imunizada, e que há pessoas com prioridade, além de outras com idade avançada e classes de trabalhadores muito mais expostos ao vírus e que estão sem previsão de receber a vacina. Muitos de nós, estagiários, inclusive, temos pais na faixa dos 50 anos que ainda não puderam receber a vacina", pontuaram os alunos na carta.

"Destacamos ainda que a imensa maioria dos estagiários é jovem (abaixo dos 30 anos), e que há uma parte considerável que está em regime remoto, não havendo, portanto, qualquer fundamento justificável para que esta classe tenha prioridade de imunização, em detrimento de outras que estão sendo expostas diariamente ao coronavírus. Ressaltamos que é interesse de todos que a vacina chegue para toda a população e da forma mais breve possível, contudo, é preciso que haja um mínimo de coerência na
elaboração das prioridades".

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