COLUNA ENEM E EDUCAÇÃO

Em Pernambuco, não há previsão ainda de acabar com distanciamento mínimo nas escolas

Estados como São Paulo e Rio de Janeiro autorizaram a presença de 100% dos alunos nas escolas de educação básica. Pernambuco ainda condiciona o retorno total nos colégios à capacidade de manter o distanciamento mínimo de um metro entre os estudantes nas salas de aula

Margarida Azevedo
Margarida Azevedo
Publicado em 06/11/2021 às 7:00
BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM
Escolas só suspendem rodízio se conseguirem acomodar os alunos com distância mínima de um metro nas salas - FOTO: BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM
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Enquanto o Distrito Federal e Estados como São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo, autorizaram a presença de 100% dos alunos nas escolas de educação básica, Pernambuco ainda condiciona o retorno total nos colégios à capacidade de manter o distanciamento mínimo de um metro entre os estudantes nas salas de aula. Por isso, as unidades de ensino, principalmente da rede pública, devido à infraestrutura, precisam ainda adotar rodízio de turmas. Somente naquelas em que há condições de abrigar todos os discentes e cumprir a exigência é que todos os alunos podem voltar para as aulas presenciais sem revezamento. Não há previsão, por enquanto, de mudança dessa regra no Estado.

A liberação de ocupação total das escolas depende de avaliação do Comitê Estadual de Enfrentamento ao Coronavírus. Segundo o secretário de Educação de Pernambuco, Marcelo Barros, o assunto vem sendo discutido, mas não há ainda uma definição. "Continua valendo a exigência de manter um metro de distância entre os alunos nas salas. Pelo menos esse mês não temos perspectiva de mudá-la. Iniciamos a vacinação dos adolescentes nas escolas. Vamos acompanhar e avaliar para decidir com mais segurança", afirma Marcelo. Se não houver a autorização em dezembro, ele espera começar o ano letivo de 2022 já sem a necessidade do distanciamento mínimo.

A maioria dos adolescentes estuda nos anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano) e no ensino médio. Dos 2,1 milhões de alunos da educação básica matriculados em Pernambuco, em escolas públicas e privadas, mais da metade - 1,2 milhão - está nessas séries. De acordo com o painel de vacinação da Secretaria Estadual de Saúde, o índice de imunização de adolescentes entre 12 e 17 anos é de 52% com primeira dose e 2% com o esquema completo (eles começaram a tomar a vacina em agosto). No Recife, os percentuais são 71% e 8%, respectivamente. Entre os trabalhadores da educação, no Estado, 123% já estão totalmente vacinados contra a covid-19.

Na Erem Ageu Magalhães, em Casa Amarela, Zona Norte do Recife, foi possível acabar com o rodízio depois que o distanciamento passou de 1,5 metro para 1 metro. A escola é da rede estadual. "Isso estimulou mais os alunos a voltarem para as aulas presenciais. Antes eles ficavam uma semana em casa e outra na escola. Como diminuiu a distância, colocamos mais estudantes por sala. Todos que optaram pelo presencial agora vêm diariamente", conta a gestora Karla Figueirêdo. Mas somente os 3º anos ficam os dois turnos. A unidade é de tempo integral. Os 1º e 2º anos têm aula num período presencial e no outro remoto. "Só quando acabar o distanciamento é que teremos todos integralmente", explica Karla.

"Seria bom se acabasse a exigência do distanciamento mínimo nas salas de aula, mas entendemos a precaução e a parcimônia do governo estadual em mantê-la. Porém se houver a liberação do uso de máscara, como está sendo cogitado, essa regra perde o sentido", comenta o presidente do Sindicato das Escolas Privadas de Pernambuco, José Ricardo Diniz. Ele diz que atualmente 80% dos alunos dos colégios particulares estão indo presencialmente para as escolas e 20% permanecem apenas com aulas remotas. No primeiro semestre eram 60% e 40%. "Esperamos que em 2022 possamos ter plenamente o ensino presencial", diz José Ricardo.

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