CONSCIENTIZAÇÃO

Abril Azul: Dia Internacional de Conscientização sobre o Autismo busca promover o conhecimento sobre direitos e necessidades ligadas ao espectro autista

No próximo sábado (6), a Caminhada Pernambucana pela Conscientização sobre o Autismo, organizada pelo MobilizaTeaPE, chega a sua terceira edição

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Mirella Araújo

Publicado em 02/04/2024 às 11:59 | Atualizado em 02/04/2024 às 12:31
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O Dia Internacional de Conscientização sobre o Autismo é celebrado nesta terça-feira (2). A data foi instituída pela Organização das Nações Unidades (ONU), em 2007, e tem como principal objetivo promover o conhecimento sobre direitos e necessidades ligadas ao espectro autista.

No próximo sábado (6), a Caminhada Pernambucana pela Conscientização sobre o Autismo, organizada pelo MobilizaTeaPE, chega a sua terceira edição. O evento será realizado na praia de Boa Viagem, Zona Sul do Recife. 

Com o lema "O melhor presente é ser presente", o evento tem como propósito sensibilizar a sociedade sobre a importância da inclusão social das pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Para a coordenadora geral do MobilizaTeaPE, Polly Fittipaldi, esta edição representa mais do que uma simples caminhada. É uma oportunidade valiosa para que toda a sociedade possa mostrar a solidariedade e compromisso com uma causa vital. Polly ressalta a relevância da participação de todos nesse ato de conscientização, enfatizando que a união das famílias e amigos de autistas é fundamental para evidenciar a urgência da conscientização sobre o TEA.

"A 3ª Caminhada Pernambucana pela Conscientização sobre o Autismo não é apenas um evento, é um símbolo de solidariedade, inclusão e compromisso com uma causa que merece toda a nossa atenção e apoio. É uma chance para que a sociedade demonstre sua solidariedade e compromisso com uma causa tão importante e necessária", afirma Polly, convidando todos a se juntarem e contribuírem para a inclusão social das pessoas com TEA.

APOIO PSICOLÓGICO

O evento também recebe o apoio do psicólogo infantil e diretor do Grupo Ampliar, Rodrigo Nery, que destaca a importância da visibilidade para a luta pelos direitos dessa população.

"Dar voz e visibilidade às pessoas autistas e seus familiares é essencial. Nós, profissionais da saúde, devemos nos unir nessa luta", ressalta Nery, chamando a atenção para a relevância das redes de cuidado que apoiam pais, responsáveis e profissionais envolvidos com a causa.

O Transtorno do Espectro Autista é uma condição que afeta a comunicação, a interação social e o comportamento.

DESAFIOS DA INCLUSÃO NA EDUCAÇÃO

O mês da conscientização sobre o autismo também é uma oportunidade de debater os desafios que ainda persistem em nossa sociedade, principalmente quando se trata do acesso a educação inclusiva.

“Todo início de ano, época de matrícula escolar, por exemplo, lidamos com situações de preconceito. É crime de discriminação a escola que se recusar a matricular um estudante autista, seja a instituição pública ou privada”, ressalta o advogado especialista em Direito dos Autistas, Robson Menezes, que também é pai atípico.

O crime de discriminação também se configura nos atos de atrasar ou dificultar a inclusão do aluno autista na escola. As escolas não podem alegar limitação quantitativa de alunos autistas por sala de aula.

“As escolas não são obrigadas a criar vagas especiais, mas não podem negar ao autista nenhuma vaga que haja disponível”, salienta Robson Menezes. O advogado lembra que, caso uma escola não aceite realizar a matrícula, é possível entrar na Justiça para pedir reparação de danos morais. A negativa da escola fere direitos de personalidade e viola a dignidade e honra subjetiva da pessoa.

Os problemas não ficam apenas na negativa de matrícula. A inclusão também deve acontecer em outros momentos, seja na acessibilidade da escola, no acompanhamento de um profissional de apoio em sala de aula (ou um acompanhante especializado), e no Plano Educacional Individualizado, com adaptações escolares.

“É importante que as famílias estejam cientes de seus direitos em relação à educação dos seus filhos, não importa o nível, seja ele nos primeiros anos escolares até no ensino superior ou profissionalizante”, comenta Robson Menezes.

 De acordo com o advogado especialista em Direito dos Autistas, nenhuma escola pode cobrar valores adicionais para alunos autistas, ou ainda solicitar que a família arque com os custos da contratação do acompanhante especializado.

“É obrigação das escolas estarem preparadas para receber alunos autistas. A escola tem o dever de oferecer um profissional especialista, além de atendimento educacional especializado, mediante a comprovada necessidade do aluno, por meio de um laudo médico”, informa Robson Menezes.

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