Nossos espaços públicos

Publicado em 25/10/2012 às 9:30
Leitura:
Uma praça rodeada de livros é um dos piores lugares do Recife para dedicar-se às peripécias de um romance, à adrenalina dos quadrinhos, às imagens da poesia. O Pátio do Sebo incorpora essa contradição, encravado entre as Avenidas Guararapes e Dantas Barreto e a Rua Siqueira Campos. Uma mostra da absoluta falta de interesse em fomentar o apreço pela leitura como algo que faz parte do dia a dia dos cidadãos. Se não podemos nos sentar tranquilamente em um espaço público para ler alguns minutos, alguma coisa está muito errada. Os donos de boxes no Pátio do Sebo precisaram fazer abaixo-assinado para que a prefeitura tomasse conhecimento do total abandono do local, constatado pela repórter Cleide Alves. Mesmo com as assinaturas diante de si, os gestores públicos deixaram o reordenamento da área para depois. Será que tal inércia se daria caso o logradouro estivesse em “região nobre” da cidade, e não no desgastado e renegado Centro? Na verdade, um problema puxa o outro: se uma localidade é mal cuidada e fica no último lugar da fila de investimentos do município, dificilmente se torna aprazível não só para a leitura, mas para qualquer outra atividade de lazer. E aí o cidadão ocupa cada vez menos os espaços públicos e privilegia cada vez mais os privados, sempre organizados para atrair consumidores. É hora de repensar essa lógica. Afinal, uma cidade boa de se viver deve ser sempre pensada para o bem-estar das pessoas.

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