O mal da seca e da omissão

Felipe Vieira
Felipe Vieira
Publicado em 01/11/2012 às 18:16
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Diante de velhas situações como animais mortos de fome e populações se deslocando quilômetros em busca de uma lata dágua, não há como deixar de questionar por que a seca ainda afeta tanto as populações do semiárido, se já existem recursos tecnológicos capazes de prevê-la. Não é só a falta de chuva que maltrata o sertanejo. A de planejamento também. Afinal, não se pode depender eternamente de São José para garantir o abastecimento e a alimentação no Agreste e Sertão nordestinos.Ninguém ignora que o fenômeno da estiagem é cíclico. A seca que hora assola o Nordeste começou a se avizinhar no ano passado, quando as chuvas ficaram bem abaixo do esperado. Este ano, a quadra chuvosa do Sertão passou (de janeiro a abril) e a água que caiu do céu mal deu para molhar a terra. Apesar dos sinais e das queixas, as autoridades demoraram demais para montar esquema eficiente de carros-pipa (quase não há cidade onde não haja desvio de água) e garantir a segurança alimentar de quem depende da agricultura. Há pequenos produtores quase deixando de comer para tentar salvar o que restou do gado.O pior é que a construção de adutoras para abastecimento humano demora demais a sair - é só lembrar os dez anos da Adutora do Oeste. E quando ficam prontas, é comum a água ser desviada para irrigação. Só quando a situação se torna quase calamitosa o poder público intervem. Uma conduta tão antiga quanto a própria seca.

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