ESPAÇO URBANO

A conta do vandalismo é de todos nós

Custo de roubos e depredações é alto, tanto para a atividade turística como para o dia a dia do cidadão. É uma luta que estamos perdendo feio.

Felipe Vieira
Felipe Vieira
Publicado em 03/03/2020 às 22:44
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CBTU DIVULGAÇÃO
VANDALISMO NO METRÔ DO RECIFE É RECORRENTE - FOTO: CBTU DIVULGAÇÃO
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Não se iluda: o custo do vandalismo é muito alto, tanto para a atividade turística como para o dia a dia do cidadão.

Eis uma luta que estamos perdendo feio. Duvida?

O roubo de fios de cobre das estações e trilhos do Metrô do Recife, por exemplo, custou quase R$ 500 mil no ano passado para um sistema já deficitário e problemático. Sem contar o prejuízo nas vidas das 400 mil pessoas que utilizam diariamente o modal e convivem com os constantes problemas.

Na Escola Duarte Coelho, da rede municipal de Olinda, no Grande Recife, uma invasão ocorrida durante o Carnaval, criminosos fizeram o "rapa": levaram freezer, microondas, máquinas fotográficas, filmadora, aparelho de som, papel, lápis, grampeador, seis ventiladores, duas televisões, entre outras coisas. Os alunos deveriam ter voltado às aulas na última segunda-feira. Não se sabe quando o farão, uma vez que todo material da escola se foi.

FILIPE JORDÃO/JC IMAGEM
Escola foi arrombada e depredada - FILIPE JORDÃO/JC IMAGEM

Na orla de Boa Viagem, um dos maiores cartões postais do Recife, seguem sem solução os casos de invasões e depredações dos quiosques.

A obra de requalificação da Avenida Conde da Boa Vista também experimentou a ação dos vândalos. Antes mesmo de serem inauguradas, em julho do ano passado, as paradas de ônibus foram pichadas.

A Prefeitura do Recife estima em R$ 2 milhões anuais o valor gasto anualmente apenas para recuperar os malfeitos dos vândalos no espaço urbano.

Por trás de invasões e roubos de equipamentos, via de regra, está o consumo endêmico de drogas, principalmente o crack. Usuários em necessidade precisam de material com liquidez para trocar pelo entorpecente.

A recuperação da cidade é não fácil. Mas depende, basicamente, de demonstrações de que o espaço urbano não é terra sem lei. Nesse ponto ainda estamos devendo, e muito.

Ações como as que ocorrem no metrô, nos quiosques da orla, na escola de Olinda e nas ruas do Grande Recife não costumam sequer ter a identificação dos criminosos, quanto mais que se aplique a lei a eles.

Recentemente, antes do Carnaval, a prefeitura conseguiu identificar e, através da Guarda Municipal, prender dois homens que danificaram a decoração da festa. A única outra ação de vulto de que se tem notícia nessa área vem de 2018, quando a Polícia Federal prendeu e indiciou seis pessoas por danos ao patrimônio (pichações) no Sítio Histórico de Olinda, quando a Polícia Federal prendeu e indiciou seis pessoas por danos ao patrimônio (pichações) no Sítio Histórico de Olinda.

Hora de o poder público perceber que o vandalismo não é um problema menor, sob pena de termos mais caos e mais prejuízo.

FILIPE JORDÃO/JC IMAGEM
Escola foi arrombada e depredada - FOTO:FILIPE JORDÃO/JC IMAGEM

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