COLUNA GRANDE RECIFE

Rapidez na execução da Conde da Boa Vista deveria ser regra, não exceção

Obra foi entregue antes do prazo estipulado

Felipe Vieira
Felipe Vieira
Publicado em 19/07/2020 às 10:19
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FILIPE JORDÃO/JC IMAGEM
As obras na Av. Conde da Boa Vista estavam previstas para terminar em Julho, mas a prefeitura alega ter atrasos em detalhes finais. - FOTO: FILIPE JORDÃO/JC IMAGEM
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Por Felipe Vieira, da coluna Grande Recife

A requalificação da Avenida Conde da Boa Vista, no Centro do Recife, deveria servir de parâmetro para o debate urbanístico do Grande Recife - e para outros serviços dos entes públicos, incluindo a própria prefeitura da capital, sob vários aspectos. Primeiro no que diz respeito à celeridade. A obra foi entregue cinco semanas antes do previsto. Já estava adiantada, inclusive, mesmo antes de a pandemia começar.

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As obras na Av. Conde da Boa Vista estavam previstas para terminar em Julho, mas a prefeitura alega ter atrasos em detalhes finais. - FILIPE JORDÃO/JC IMAGEM

Um outro parâmetro seria a manutenção. Manter impecável a via e todos os seus equipamentos é primordial para que o fantasma do vandalismo não dê as caras. Fiscalizar eventuais malfeitos é importante. Se alguém vandalizar, for identificado e receber a devida punição pelo delito, além de manter o ambiente controlado, tem-se o efeito didático para evitar outros casos. Envolver a população também é imprescindível. É preciso que as pessoas julguem necessário manter aquele ambiente da forma que está, limpo, organizado e agradável.

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As obras na Av. Conde da Boa Vista estavam previstas para terminar em Julho, mas a prefeitura alega ter atrasos em detalhes finais. - FILIPE JORDÃO/JC IMAGEM

A requalificação da Conde da Boa Vista demorou muito. O desastre que foi a intervenção concebida no apagar das luzes da gestão do então prefeito João Paulo, em 2008, perdurou por longos 12 anos - oito dos quais sob a batuta do atual prefeito, Geraldo Julio. Essa foi a primeira pergunta que a coluna fez ao secretário municipal de Infraestrutura, Roberto Gusmão: por que a reforma de uma obra famosa por ser tão malfadada levou quase duas gestões de um mesmo prefeito para ser concluída? O secretário afirmou que a Conde da Boa Vista "não era uma obra de grande complexidade na engenharia, mas muito complexa no ponto de vista operacional", uma vez que a via não poderia ser interditada.

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As obras na Av. Conde da Boa Vista estavam previstas para terminar em Julho, mas a prefeitura alega ter atrasos em detalhes finais. - FILIPE JORDÃO/JC IMAGEM

Gusmão também explica que foram ouvidos muitos atores ao longo dos anos e que apenas o planejamento durou um ano e três meses. "Era precisa conversar com muita gente, ter humildade. Falar com as universidades, governo do Estado, órgãos que trabalham com transporte coletivo. Conversar com os comerciantes informais. Foi como fazer uma cirurgia em um paciente sem anestesia. A intervenção foi feita sem nada deixar de funcionar. A gente não poderia mais errar ali".

Questionado sobre o possível embutimento da fiação aérea na Conde da Boa Vista, Gusmão alegou alta de custos. "Havia inúmeras ligações clandestinas na via, e o custo do embutimento era praticamente o mesmo da obra. Fizemos o que era possível dentro da limitação financeira".

Sobre o vandalismo e a preocupação em envolver a população, o secretário afirmou que há boas notícias. "A obra ficou tão boa que estamos recebendo denúncias da população sobre a ação de vândalos. Conseguimos pegar pessoas que no início tentaram tocar fogo nos contenedores de lixo".

Criticamos falhas e parabenizamos acertos. A Conde da Boa Vista, sem sombra de dúvida, faz parte desse último time. Mas é bom lembrar do grande passivo de obras que perpassam gestões sem qualquer solução, que viram verdadeiras lendas urbanas e monumentos à ineficiência e ao desperdício de recursos. E que a celeridade com que a requalificação da Conde da Boa Vista foi concluída deveria ser a regra, jamais a exceção.

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As obras na Av. Conde da Boa Vista estavam previstas para terminar em Julho, mas a prefeitura alega ter atrasos em detalhes finais. - FOTO:FILIPE JORDÃO/JC IMAGEM
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