COLUNA GRANDE RECIFE

O Recife não tem tempo a perder

Quem for ocupar a cadeira principal da prefeitura tem que iniciar a preparação da cidade para o futuro

Felipe Vieira
Felipe Vieira
Publicado em 29/11/2020 às 8:00
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ALEXANDRE GONDIM/JC IMAGEM
Praça do Marco Zero no Bairro do Recife. Dia das crianças nos parques e praças do Recife, Pernambuco. - FOTO: ALEXANDRE GONDIM/JC IMAGEM
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Termina hoje uma das campanhas para a Prefeitura do Recife mais beligerantes de todos os tempos. Principalmente no segundo turno as propostas para a cidade ficaram visivelmente de lado, dando lugar a um arranca-rabo que pode até render bons comentários nas rodas de conversa (hoje cada vez mais virtuais, como nos grupos de WhatsApp), mas que pouco acrescenta para a discussão do que importa na cidade.

Muito se falou da política, até porque a disputa foi centrada em candidatos do mesmo campo político-ideológico e, para além disso, da mesma família.

Mas tudo isso acaba hoje. Quando vencedores e vencidos forem conhecidos, vitória celebrada e lágrimas derramadas, o dia seguinte tem que ser do início de uma preparação para lidar com problemas palpáveis - e com a perspectiva de um aperto sem precedentes no cofres públicos. Problemas com cujas soluções os dois candidatos - em meio ao festival de ataques nas inserções de rádio e tv - se comprometeram.

O Recife tem o brutal déficit de 70 mil unidades habitacionais e várias obras de moradia ficaram pelo caminho nos últimos anos. É desafiador e difícil nesta época de vacas magras? Sim, mas uma política habitacional firme tem que ser uma das prioridades da nova gestão.

Ela atacaria um outro problema: a população de rua aumentou a olhos vistos na cidade. Uma situação econômica que não era lá muito promissora foi agravada pela pandemia, empurrando muitas pessoas para a miséria.

Há também um passivo de áreasde lazer e de convivência para a população, principalmente nas periferias. Quem for ocupar a cadeira principal da prefeitura, o desafio de conduzir a integração com os demais municípios da Região Metropolitana. O Recife, por motivos óbvios, é a locomotiva do processo (o que não significa, claro, dizer que tem que ser o manda-chuva e o que bate na mesa nas discussões).E o futuro do Recife como atração turística? Os candidatos só se reuniram com o trade turístico e de eventos da cidade na última quinta-feira, a três dias da eleição, uma mostra de que não há projetos nem prioridade em vista para o segmento.

Prefeitos têm que colocar os pés para fora do gabinete, ser menos assinadores de papéis e mais gerentes. É o gestor que mais de perto cuida da população e tem estar sempre cara a cara com ela, vendo pessoalmente as necessidades, cobrando a equipe pelo que precisa ser feito. A próxima pessoa a ocupar a cadeira tem a oportunidade de iniciar a preparação da cidade para o futuro. É isso que muitos, na esteira do estrago causado pela pandemia, estão fazendo. Ou os problemas já existentes tenderão a se agravar.

 

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