DEPUTADA PETISTA

Marília Arraes defende candidatura do PT ao Governo de Pernambuco mesmo que PSB apoie Lula

Sobre as eleições locais em 2022, a parlamentar disse que está à disposição do PT para a disputa pelo Governo de Pernambuco e fez menção ao senador Humberto Costa.

José Matheus Santos
José Matheus Santos
Publicado em 30/08/2021 às 10:03
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Marília Arraes diz que a prioridade em 2022 é eleger Lula - FOTO: Reprodução/Instagram
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A deputada federal Marília Arraes defendeu que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) amplie as conversas com o PSB e partidos de centro no plano nacional para as eleições de 2022. Para Pernambuco, Marília voltou a defender que o PT tenha candidatura própria ao Governo do Estado.

A fala da deputada foi em entrevista ao jornal "O Globo" publicada nesta segunda-feira (30).

"A conversa com o PSB é, antes de tudo, nacional. Eu defendo que o presidente Lula busque alianças e o apoio, não só do PSB, mas de partidos de centro que apoiem a democracia. Em Pernambuco, defendo que tenhamos uma candidatura própria, mesmo que o PSB decida apoiar o presidente Lula. Já me coloquei mais de uma vez à disposição para colaborar com esse projeto. A grande prioridade é a eleição de Lula para presidente", afirmou Marília.

Sobre as eleições locais em 2022, a parlamentar disse que está à disposição do PT para a disputa pelo Governo de Pernambuco e fez menção ao senador Humberto Costa.

"O PT precisa definir se terá candidato, o que defendo. Tendo candidato, quem vai decidir será o presidente Lula. Não será uma decisão tomada localmente. Tenho respeito pelo senador Humberto Costa, apesar de divergir de estratégias que ele defende. Vou cumprir a decisão que for tomada", disse.

"Eu me coloquei à disposição, não só por ler análises de pesquisa. Acredito que o PT no meu estado tem o potencial muito maior do que é aproveitado", frisou.

No plano nacional, nos bastidores, o PSB tem defendido que uma costura de uma aliança com o PT perpassa por coligações entre as legendas nas eleições para o Governo de Pernambuco e para o do Rio de Janeiro, consideradas prioridades para os peessebistas.

Perguntada sobre como seria uma costura para uma aliança que atenda aos dois partidos, Marília disse que só resta a ela "esperar a missão".

"Essa costura deverá ser feita pelos líderes nacionais. O que posso fazer é esperar a missão. É possível haver diálogo. Alianças em um momento em que estamos com a democracia ameaçada, como agora com Bolsonaro, não podem ser construídas com base do toma lá, dá cá desconsiderando a força política dos aliados. É preciso disputar com respeito, coisa que não aconteceu aqui no Recife no segundo turno. Foi uma baixaria como nunca se viu aqui. Tem que haver diálogo com respeito e civilidade. Estou aguardando a missão que será a mim delegada e tentarei cumprir da melhor maneira possível", afirmou.

"Em 2018, o PT retirou minha candidatura. Agora, em 2020, eu me coloquei à disposição em ser candidata. Claro que tem como objetivo, seja lá para quando for, um projeto majoritário para Pernambuco. Terei que esperar as tratativas e o direcionamento que o presidente Lula vai dar", disse.

Ainda segundo a deputada Marília Arraes, o ex-presidente Lula teria relatado em conversa pessoal que o cenário eleitoral está indefinido e que a prioridade do PT será aglutinar "o máximo de forças possíveis". "Temos que criar solução e buscar agregar para a liderança que é maior do que nós", afirmou a petista.

Disputa de 2020

Nas eleições de 2020 no Recife, no segundo turno, a campanha do candidato João Campos (PSB), que acabou vencendo, usou do antipetismo como estratégia contra Marília Arraes (PT). A propaganda eleitoral do PSB no rádio e na televisão promoveu ataques a membros da cúpula nacional do PT.

O jornal "O Globo" perguntou se Marília tem relação com João Campos. "Não há qualquer relação política entre nós. É algo que pode ser alvo de diálogo tendo em vista o cenário nacional. Essa eleição foi dura, mas quando a gente sofre ataques dessa forma faz a gente crescer e amadurecer. Levo como aprendizado. Não podemos fazer política olhando para o retrovisor, mas é preciso memória e mostrar que disputa política não se faz desse jeito. Cobram tanto autocrítica do PT, mas é preciso que o PSB faça uma autocrítica sobre o que foi feito para podermos olhar pra frente", disse Marília.

"Desde que eu tenho posições divergentes do PSB sofri ataques. A diferença para 2020 é que foram ataques sistemáticos e contínuos, feitos pela TV, em inserção comercial... Eu não faço política com rancor, com mágoa, com ódio. Isso passou, foi superado... Mas deve ser conversado. Não pode ser dessa maneira. Deve ser com respeito. Foi assim que aprendi com meu avô, Miguel Arraes. Faltar com respeito a um adversário é faltar com respeito ao povo que está presenciando essa baixaria", acrescentou.

Marília Arraes ainda não descartou a possibilidade de subir em um palanque com João Campos em prol de Lula em 2022. "Ainda é muito cedo para tratar disso, mas a minha prioridade é a eleição do presidente Lula e tirar o Brasil do caos que estamos vivendo".

No segundo turno das eleições de 2018, Marília Arraes subiu no palco do então candidato a presidente Fernando Haddad (PT), onde também estava o então governador reeleito Paulo Câmara (PSB). Na ocasião, os discursos deram a entender que a prioridade seria derrotar Jair Bolsonaro, à época no PSL.

Naquele ano, Marília Arraes foi rifada pela cúpula nacional do PT da disputa pelo governo estadual para que a legenda apoiasse Paulo Câmara. Em troca, o PSB não apoiou Ciro Gomes (PDT) e declarou neutralidade na disputa pela Presidência. Em âmbito local, os peessebistas apoiaram com Haddad.

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