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Tulio Gadelha não fala com Ciro Gomes desde a eleição no Recife e expõe críticas ao PDT

Deputado comenta clima de apatia dentro do partido

Augusto Tenório
Augusto Tenório
Publicado em 23/11/2021 às 10:24
Foto: Diego Medeiros/Divulgação
Ciro Gomes e Tulio Gadelha - FOTO: Foto: Diego Medeiros/Divulgação
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A votação dividida do PDT na PEC dos Precatórios não foi fato isolado dentro do partido comandado por Carlos Lupi. Em entrevista ao Blog de Jamildo, o deputado federal Tulio Gadelha (PDT-PE) expôs suas insatisfações com a legenda e comentou o seu afastamento de Ciro Gomes, pré-candidato da sigla à presidência da República.

Em 2020, a direção nacional do PDT vetou em setembro a candidatura de Tulio Gadelha à Prefeitura do Recife. Ciro Gomes, então, apoiou a candidatura de João Campos (PSB), eleito prefeito da capital pernambucana.

"A gente não se fala desde o processo do Recife. Eu discordei da postura do partido em 2020, de apoiar o a candidatura de João Campos. Disse que seria um erro caminhar na construção dessa aliança em Pernambuco, até porque o PSB depende do palanque de Lula para sobreviver. Ciro acreditou que conseguiria um apoio fazendo o gesto de retirada de uma candidatura importante para o PDT. (...) Desde então não fui mais procurado por Ciro Gomes", diz o deputado federal.

Apesar disso, Tulio Gadelha defendeu o posicionamento do pré-candidato diante da confusão do partido na votação da PEC dos Precatórios. Na avaliação do pernambucano, o ex-governador do Ceará cumpriu um "papel importante", coerente com a defesa defesa um projeto desenvolvimentista de país, com geração de empregos, o que não seria conciliável com a insegurança jurídica.

Kauê Pinto/Divulgação
O deputado federal Túlio Gadelha (PDT-PE) - Kauê Pinto/Divulgação

Ainda sobre a PEC dos Precatórios, o parlamentar avalia que a situação está estabilizada entre a fileira do partido na Câmara dos Deputados. "O impacto foi inesperado para alguns deputados. Mas a legenda conseguiu se remendar, porque a bancada rachou, mas fez uma autocrítica da sua posição para o segundo turno e colocou a sigla no trilho correto".

Tulio Gadelha pode sair do PDT?

O parlamentar também expôs suas insatisfações com a legenda. Apesar de destacar o papel de Carlos Lupi, presidente nacional do partido, como liderança capaz de agregar e construir alianças com outras figuras, o pernambucano enxerga que o ex-ministro do governo Dilma pode se tornar refém das direções estaduais.

"Existem bons quadros no partido, mas as direções são fechadas e isso frustrou a militância do PDT, que votou em Ciro e entrou para disputar as eleições municipais e viu que não existe disputa. As direções são fechadas para aqueles grupos familiares, que constroem e tem suas relações pessoais com o presidente", disse o parlamentar.

Ao Blog, Tulio Gadelha confirmou que vai tentar reconduzir seu mandato no próximo ano. Questionado se pensa em deixar o partido, ele confessa pensar sobre o assunto e revela já ter sido convidado pelo PT, PSOL, Rede, Pros e PV.

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