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Moro critica Judiciário, mas enaltece Marcelo Bretas. 'Justiça e política não devem se misturar'

Em livro a ser lançado no Recife no próximo domingo, ex-juiz distribui elogios a poucas personalidades

JAMILDO MELO
JAMILDO MELO
Publicado em 30/11/2021 às 0:14
SERGIO LIMA
Sergio Moro, durante ato de filiação - FOTO: SERGIO LIMA
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Na obra Contra o sistema da corrupção, o ex-ministro Sérgio Moro lista uma série de críticas ao Judiciário brasileiro e elogia poucas pessoas. Uma delas é o magistrado federal carioca Marcelo Bretas, da Lava Jato do Rio de Janeiro.

Nas críticas, Moro reclama da lentidão dos processos. Ao versar sobre o Supremo Tribunal Federal (STF), a reclamação recorrente é que há muitos processos e nada anda.

"A inércia é uma das maiores forças mais poderosas do universo. A justiça precisa de efetividade. Do contrário, é uma farsa", explica em um trecho do livro, quando diz que em Harvard, em 1998, abriu os olhos para o direito americano. "No Brasil, há uma valorização excessiva do formalismo... Não se busca a verdade", compara.

Sem citar o STF, ele critica as decisões recentes em favor do ex-presidente Lula.

"O Direito cria sua própria realidade... Lula e Eduardo Cunha são inocentes. Não se pode tolerar desvios éticos", escreve.

O ministro elogia também o ex-ministro do STF Teori Zavascki, que em maio de 2014 chegou a suspender com uma liminar prisões decretadas pelo então magistrado de Curitiba, a pedido do diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa.

REPRODUÇÃO/YOUTUBE
PESQUISAS Moro surge com 11% das intenções de voto - REPRODUÇÃO/YOUTUBE

No livro, ele revela que encontrou uma brecha para um recuo de Teori ao lhe informar que no meio das 11 prisões suspensas havia um grande traficante solto, Renê Luiz. Moro temia o fim precoce da operação, caso o material fosse enviado para a Suprema Corte.

No entanto, em junho de 2014, o pulo do gato naquela época foi a revelação da existência de 28 milhões de dólares na Suíça, em contas secretas, por parte do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. O que mais contribuiu para a segunda prisão foi a tentativa de obstrução da Justiça, no episódio em que familiares foram ao escritório e saíram com documentos

No capitulo 3, ele diz que Justiça e política não devem se misturar. Ele se refere ao fato de ter marcado a audiência do doleiro Youssef e Paulo Roberto Costa para o dia 9 de outubro de 2014, antes do segundo turno das eleições entre Dilma e Aécio Neves. "a Justiça seria questionada de qualquer maneira. Concluí, e é isto que penso sobre esse tema, que o melhor seria conduzir normalmente o processo, independentemente da agenda eleitoral. Justiça e política não devem se misturar e não seria correto definir a agenda dos processos com base em preocupações quanto à possibilidade de eventuais repercussões eleitorais", escreve.

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