Treta eleitoral

Moro desafia Lula para debate sobre mensalão e petrolão

Candidato do Podemos precisa criticar adversários para tentar viabilizar-se na terceira via

JAMILDO MELO
JAMILDO MELO
Publicado em 14/01/2022 às 14:26
EDUARDO MATYSIAK / AFP
Moro é pré-candidato à Presidência da República pelo Podemos - FOTO: EDUARDO MATYSIAK / AFP
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Depois de tentar polarizar com Bolsonaro, o ex-ministro Sérgio Moro (Podemos) fustigou, nesta sexta, o ex-presidente Lula. O nome do adversário petista veio à baila como alternativa para fugir ao debate proposto por um grupo de advogados, batizado de Prerrogativas, de São Paulo, todos críticos dos métodos da operação de Curitiba.

A proposta foi colocada pelo advogado Augusto de Arruda Botelho, nos seguintes termos. "Oi, Sergio - @SF_Moro - seguinte: conversei aqui com o grupo Prerrogativas (é grupo, não clube!) e gostaríamos de te convidar para um debate sobre a Lava Jato, reforma da justiça e combate à corrupção. Podemos escolher em conjunto a plataforma, regras e mediador(a)".

"Vejo que o clube dos advogados pela impunidade quer debater. Desculpem, mas este é um clube do qual não quero participar. Mas debato com o chefe de vocês, o Lula, a qualquer hora, sobre o mensalão e o petrolão", afirmou o ex-magistrado.

"Ou seja, você fugiu do debate. Nós, por outro lado (e não temos chefe), debatemos com qualquer pessoa: com seu ex - chefe, o Bolsonaro, com seu chefe na Alvarez & Marsal (quem era seu chefe lá, por sinal?), com seus comparsas no MPF... Sergio, só não vale consultar o Telegram", reagiu depois Arruda Botelho.

Mais cedo, um dos líderes do grupo prerrogativas havia usado as redes sociais para chamar Moro para um debate sobre a Lava Jato.

A proposta do debate foi feita pelo coordenador do grupo jurídico Prerrogativas, o advogado Marco Aurélio de Carvalho, que havia criticado a proposta do pré-candidato a presidente Sergio Moro (Podemos) de fazer mudanças no Judiciário.

As ideias foram defendidas em evento no Recife, ainda no ano passado.

"Causa espécie, perplexidade, espanto e risos. Justo ele, que a pretexto de combater a corrupção, corrompeu o sistema de Justiça".

O ex-ministro montou um grupo de especialistas na área jurídica, que devem formular uma proposta para seu programa de governo. Na quarta (12), Moro encontrou-se com os professores de direito da FGV (Fundação Getulio Vargas) Luciano Benetti Timm e Joaquim Falcão e com o desembargador aposentado e professor da PUC (Pontifícia Universidade Católica) do Paraná, Vladimir Passos. Falcão, que também é membro da ABL (Academia Brasileira de Letras), é o coordenador da equipe.

"A advocacia é a única força entre um cidadão (qualquer cidadão) e um juiz que se preste a formar conluio com a acusação", deu indireta o ex-presidente da OAB, Felipe Santa Cruz.

Estabilidade de Lula

"A oscilação dos números dentro da margem de erro ou a sua repetição desde que Sergio Moro entrou na disputa mostra que o eleitorado está se acostumando a um quadro: Lula lidera com grande vantagem com mais de 40% dos votos; Bolsonaro tem um piso de 20% e nenhum dos terceiros nomes deslanchou. Em novembro, podia-se argumentar que este era um quadro que poderia sofrer muitas mudanças até as eleições. Em dezembro, que ainda faltavam dez meses para as eleições. Bem, agora faltam nove meses e não há nada (repito nada) que aponte que as pesquisas são mudar até abril ou até depois disso. A estabilidade do quadro só favorece um candidato, Lula da Silva", escreve o analista Thomas Traumann, na Veja.

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