BASTIDORES

Mesmo rejeitando Marília Arraes, PSB precisa desatar "nó" na Frente Popular

Rejeição da candidatura da petista coloca PSB mais perto de acomodar partidos da Frente Popular na disputa majoritária, mas situação ainda é incerta

Augusto Tenório
Augusto Tenório
Publicado em 26/01/2022 às 15:46
Foto: Yacy Ribeiro/JC Imagem
Foto: Yacy Ribeiro/JC Imagem
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A rejeição do PSB em aceitar Marília Arraes (PT) como candidata ao Senado coloca o partido em posição mais favorável para desatar o "nó" da Frente Popular, mas o problema ainda parece longe de ser resolvido. A vaga é objeto de disputa em diversas frentes, com partidos como PP, PDT, PSD e Republicanos clamando presença na majoritária.

Na avaliação de diferentes grupos, o Partido dos Trabalhadores estaria satisfeito com a indicação de um vice na chapa com o PSB. Nesse sentido, fala-se no nome da deputada estadual Teresa Leitão (PT) como companheira de chapa do nome a ser indicado pelos socialistas, cuja definição foi prorrogada para fevereiro.

ROBERTO SOARES/ALEPE
Teresa Leitão apelou para que o Governo de Pernambuco envie uma emenda de interstício - apresentada entre o primeiro e o segundo turno - igualando a data de pagamento do bônus para os dois grupos - ROBERTO SOARES/ALEPE

A parlamentar, junto com Humberto Costa, se encontrou com Paulo Câmara nesta quarta, indicando um possível avanço nesse sentido. O PT, porém, já encomendou pesquisa eleitoral para testar os nomes do senador e de Marília em cenários contra o PSB.

Enquanto isso, o PSB se encontra numa encruzilhada para acomodar o PP, PDT e PSD. Segundo pedetista, ouvido sob reserva pela coluna, a indicação de Wolney Queiroz ao Senado, junto com a possibilidade de formar-se um palanque duplo no estado para apoiar a candidatura de Ciro Gomes à presidência, garantiria a permanência do partido na aliança.

CLAUDIO ANDRADE/AGÊNCIA CÂMARA
NA FRENTE Wolney disse que o PSB segue sendo o aliado preferencial - CLAUDIO ANDRADE/AGÊNCIA CÂMARA

"Aqui faremos de tudo para que Ciro tenha palanque. A bomba está nas mãos do PSB, que sabe como ninguém desatar os nós", diz o interlocutor. Escutado sob reserva pela coluna, porém, quadro do PSB enxerga como quase impossível um palanque dessa forma no estado: "Não é viável politicamente, apesar da importância política do PDT em Pernambuco".

Além do PDT, há a questão do PP. O partido, base do PSB, pleiteia Eduardo da Fonte como candidato ao Senado. Em mais de uma ocasião, membros do Progressistas reivindicaram a vaga na eleição majoritária para o deputado federal.

PABLO VALADARES/CÂMARA DOS DEPUTADOS
"Precisamos jogar luz sobre esses reajustes e barrar qualquer prática abusiva que só prejudica a população", afirmou o deputado Eduardo da Fonte - PABLO VALADARES/CÂMARA DOS DEPUTADOS

Recentemente, porém, em encontro com jornalistas, Lula da Fonte não descartou outro tipo de acomodação ao PP: "Nossa prioridade é concentrar as forças nas proporcionais, mas pela relação com a Frente Popular, tenho plena certeza das condições de reivindicar a vaga nas majoritárias, seja com vice-governador ou Senado".

Pelo PSD, o deputado federal André de Paula já defendeu sua candidatura pela Frente Popular e é apoiado pelo senador Jarbas Vasconcelos. O nome de Silvio Costa Filho (Republicanos) também é cotado para a vaga ao Senado. Como mostrou esta coluna, em agosto, o deputado é visto como alguém mais ligado aos palanques petistas.

Questionado se o PSB tem chances de agradar a todos, o interlocutor socialista demonstra confiança: "Sim, tem muita gente com maturidade pra isso. Não tem nenhum amador jogando, são pessoas experimentadas e muitos já contribuíram com o estado".

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