Uso para tratamento de saúde

Deputado estadual apresenta projeto de lei para autorizar cultivo de maconha medicinal em Pernambuco

Plantio seria autorizado para fins medicinais, segundo o projeto

JAMILDO MELO
JAMILDO MELO
Publicado em 23/02/2022 às 11:14
CESAR MATOS/DIVULGAÇÃO
ESTUDOS Um dos princípios ativos da maconha pode funcionar contra sintomas duradouros nos pacientes - FOTO: CESAR MATOS/DIVULGAÇÃO
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Ex-prefeito do Recife por dois mandatos, o atual deputado estadual João Paulo (PCdoB) apresentou um projeto de lei na Assembleia Legislativa para autorizar o "cultivo e o processamento da cannabis sativa para fins medicinais, veterinários, científicos e industriais, por associações de pacientes" no território do Estado de Pernambuco.

"O plantio servirá unicamente para o uso medicinal, em acordo com a legislação vigente e com amparo em decisões da Anvisa e de entidades científicas. O objetivo do projeto é mitigar o sofrimento de milhares de pacientes - e seus familiares - que não tem acesso ao medicamento ou não podem arcar com seu alto custo. A única entidade que podia cultivar, produzir e fornecer o medicamento no estado de Pernambuco, a AMME Medicinal, teve a liminar derrubada na última semana", afirma a assessoria do parlamentar.

Pelo texto do projeto 3098/2022, será permitido o "cultivo e o processamento da cannabis sativa para fins medicinais, veterinários, científicos e industriais, por associações de pacientes da cannabis medicinal, nos casos autorizados pela ANVISA, ou por legislação federal, com finalidades terapêuticas para tratar e amenizar sintomas de diversas patologias".

Para o deputado, entende-se por cultivo da cannabis sativa o processo que pode contemplar as atividades de "plantio, cultura, colheita, importação, exportação, aquisição, armazenamento, transporte, expedição e processamento até a etapa de secagem da planta cannabis".

Segundo o parlamentar estadual, alguns entes federados aprovaram recentemente normas para o uso da cannabis medicinal em seus territórios, tais como o Estado do Rio de Janeiro (Lei de autoria do deputado Estadual Carlos Minc, do PSB), Rio Grande do Norte (Lei 11.055/2022), Paraíba (Lei 11.972/2021), entre outros.

"Nossa expectativa com a aprovação do presente projeto de lei é de inúmeros benefícios para o Estado de Pernambuco; como o desenvolvimento de novos estudos científicos e novas tecnologias de medicamentos, além de um incremento na arrecadação de tributos e geração de empregos. Além disso, teremos, principalmente, a possibilidade de redução de custos e ampliação de tratamento médico para os inúmeros paciente que necessitam de remédios produzidos com a cannabis medicinal", justificou João Paulo, no projeto.

Nos bastidores, já se prevê embate com a bancada evangélica e a bancada policial na Assembleia, em pleno ano eleitoral.

Depois da publicação do blog, o deputado do PP e pastor Cleiton Collins usou o seu programa de rádio, nesta quarta, para criticar a proposta. Nas redes sociais, meteu um card com letras garrafais. "Maconha não!"

"Passou da hora... o lobby da indústria farmacêutica é global ... e Pernambuco contimnua ainda no cultivo de Cana de Açúcar ... economia falida do século passado", diz a produtora e empresária Maria do Céu.

No plano nacional, a discussão apenas ideológica já evoluiu para outro patamar.

 

Foto: Pixabay
Lei legaliza uso da maconha para aliviar os sintomas de doenças como o câncer, epilepsia e parkinson - Foto: Pixabay
 

Quais os benefícios da maconha medicinal?

Dentre os benefícios, produz efeito anticonvulsivo, anti-inflamatório, antidepressivo e anti-hipertensivo. Além de ser usado também como analgésico e no tratamento para aumentar o apetite.

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