Pauta de costumes

Bancada conservadora quer mudar o nome do Dia Marielle Franco

Articulação tenta barrar mais uma vez o projeto de Lei protocolado pela vereadora Dani Portela, aprovado em primeira discussão em sessão plenária do dia 15 de março

JAMILDO MELO
JAMILDO MELO
Publicado em 21/03/2022 às 15:51
TOM CABRAL/DIVULGAÇÃO
PROJETO Texto volta à pauta da Câmara do Recife nesta terça-feira - FOTO: TOM CABRAL/DIVULGAÇÃO
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A bancada conservadora da Câmara Municipal do Recife apresentou um substitutivo para alterar integralmente o teor do Projeto de Lei nº 62/ 2021, que cria o Dia Marielle Franco de Enfrentamento à Violência Política contra Mulheres Negras, LBTs e periféricas.

O projeto protocolado pela vereadora Dani Portela havia recebido parecer positivo nas duas comissões legislativas da Casa e foi aprovado em primeira discussão na reunião plenária do último dia 15.

No dia anterior a bancada conservadora já havia articulado uma saída em massa do plenário para que a matéria não pudesse ser votada por falta de quórum.

A articulação desta segunda feira, encabeçada pela vereadora conservadora Michele Collins (PP), quer retirar o nome da vereadora carioca Marielle Franco da homenagem, substituindo por Dia Júlia Santiago de Enfrentamento à Violência Política Contra as Mulheres.

A vereadora lançou mão de uma emenda de plenário, que é um instrumento legislativo previsto em regimento.

“A homenagem para a vereadora Júlia Santiago, uma mulher comunista, operária e a primeira a ocupar um mandato eletivo nessa Casa é mais do que justa. Ambos os projetos podem caminhar tranquilamente nesta casa, sem que um seja impeditivo do outro. Essa atitude da vereadora Michelle me faz perguntar: A quem interessa apagar a memória de Marielle Franco? A quem interessa abafar um feminicídio político que marcou a história recente do Brasil?”, afirma Portela.

De acordo com a vereadora, a morte de Marielle Franco foi um crime político de enorme repercussão nacional e internacional.

"A continuidade da luta de Marielle contra todo tipo de violência contra as mulheres, inclusive contra as negras e LBTs, vem sendo repercutida em todas as Câmaras Legislativas do Brasil, como parte das atividades da Agenda Marielle, proposta por iniciativa do Instituto Marielle Franco", diz.

“Essa iniciativa da vereadora Michele me parece um desespero de quem um dia foi a mais votada para esta casa e não conseguiu entender que o protagonismo das mulheres negras me fez a vereadora mais votada no Recife em 2020. Penso que na próxima legislatura, deveremos ter não somente mais mulheres negras na Câmara. A vereadora pode se preparar para ter a companhia de ainda mais mulheres diversas eleitas. Esse espaço será cada vez mais ocupado por negras, lésbicas e trans”, finalizou Dani.

 

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