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Comissão Arns realiza ato de desagravo a Miriam Leitão

Manifestação virtual reuniu membros-fundadores da Comissão e familiares da jornalista

JAMILDO MELO
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JAMILDO MELO
Publicado em 25/04/2022 às 14:58 | Atualizado em 25/04/2022 às 15:12
Foto: Paloma Amorim/Divulgação
Foto: Paloma Amorim/Divulgação
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Sem alarde, na noite da última quarta-feira (20/04), a jornalista Miriam Leitão esteve com os integrantes da “Comissão de Defesa dos Direitos Humanos D. Paulo Evaristo Arns -- Comissão Arns” em um ato virtual de desagravo às recentes ofensas dirigidas a ela pelo deputado Eduardo Bolsonaro. Estiveram presentes os membros da Comissão Arns, Miriam Leitão e familiares.

Paulo Sérgio Pinheiro, membro fundador e primeiro presidente da Comissão Arns, fez a saudação inicial do encontro destacando o importante papel da jornalista na imprensa brasileira e como testemunha dos sofrimentos causados pela ditadura militar no Brasil.

Ele abriu a reunião em nome do atual presidente da Comissão, o ex-ministro José Carlos Dias.

Os membros da Comissão Arns ressaltaram em suas falas a coragem e a integridade de Miriam, como profissional da imprensa e como cidadã, em defesa da democracia e dos direitos humanos, prestando solidariedade a ela diante dos ataques sofridos recentemente.

A jornalista agradeceu o ato de desagravo. "Hoje é um dia muito grande para quem valoriza direitos humanos. O desagravo não é a mim, mas a todos nós. Todos nós estamos ofendidos e tivemos atingido o que temos de valor, que é o nosso pacto civilizatório. A democracia é de discordâncias pontuais e concordância no principal. O principal é a democracia em si e os valores humanos”, afirmou.

Miriam Leitão reforçou que o trabalho realizado pela Comissão Nacional da Verdade foi um “favor ao Brasil” e defendeu a importância das provas e registros sobre o período da ditadura militar no país. No encontro com a Comissão Arns, a jornalista relatou a violência sofrida na ditadura militar e lembrou de nomes que não sobreviveram, como Alexandre Vannuchi, Vladimir Herzog, Ana Rosa Kucinsky, Rubens Paiva, Stuart Angel e outros.

"Em nome deles, temos que manter a firmeza".

A jornalista chamou a atenção para o período atual e os desafios que se apresentam.

“A democracia está sob ataque. E quando está sob ataque, passamos por cima das nossas diferenças e dúvidas para defender a democracia. O pacto civilizatório de 1988 tem que ser preservado”, finalizou Miriam, que no último domingo tornou públicos áudios do Superior Tribunal Militar (STM) de militares admitindo torturas na época da ditadura.

A presidente de honra da Comissão Arns, Margarida Genevois, que foi presidente da Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo e atuou diretamente com D. Paulo Evaristo Arns, declarou que Miriam é um “exemplo e incentivo”, principalmente em tempos de dificuldades para o país.

“Há um precipício em nossos pés e precisamos fazer algo para não irmos nessa enxurrada, sobretudo diante dessas declarações variadas e irresponsáveis do governo do nosso país”.

Outro membro fundador da Comissão, Belisário dos Santos Jr., que também integrou a Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo, lembrou de declarações de D. Paulo, de críticas à tortura, considerado por ele o mais grave crime cometido contra o ser humano.

“Tendo sido a tortura o instrumento de dominação da oposição, é exatamente a ela que os algozes de hoje voltam para justificar o que ontem, pra eles, foi tão importante. Estaremos sempre juntos no agravo e na luta contra os retrocessos”, afirmou.

Luiz Carlos Bresser-Pereira, ex-ministro da Fazenda e também membro fundador da Comissão Arns, destacou a coragem e firmeza de Miriam, “no jornalismo e perante a violência”, ao longo de sua trajetória de vida.

Maria Victoria de Mesquita Benevides, também membro fundadora e integrante do Conselho Deliberativo do Instituto Vladimir Herzog, lembrou da mensagem constante de D. Paulo quando se despedia.

“Coragem. É isso o que nós precisamos. Mas para você, Miriam, a gente não precisa dizer isso, porque coragem você tem”.

Paulo Vannuchi, ex-ministro de Direitos Humanos e membro fundador da Comissão Arns, lembrou da atuação da jornalista na imprensa, em defesa da Comissão Nacional da Verdade, e da importância de lançar luz sobre os casos da ditadura.

“Só as feridas lavadas cicatrizam. O importante do passado é a construção do futuro”.

Laura Greenhalgh, membro fundadora e diretora executiva da Comissão Arns, solidarizou-se à Miriam.

“Falo como mulher jornalista e em nome de tantas outras que vêm sendo atacadas na sua condição de mulher por este governo. É importante nos manifestarmos firmemente contra essas agressões”.

A irmã da jornalista, Elizabeth Leitão, agradeceu à Comissão Arns pelo ato de desagravo e pela defesa dos direitos humanos.  “Vamos na luta, estamos juntos”.

Os filhos da homenageada, Vladimir Netto e Matheus Leitão, também participaram.

Matheus lembrou das dores das vítimas e familiares durante a ditadura militar.

“Agradeço por vocês estarem trazendo esperança para minha mãe, para minha família e todas as pessoas. São palavras de esperança para um ano que promete ser difícil”.

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