Ataques à democracia

Pesquisa Genial/Quaest. 45% reprovam perdão a deputado Daniel Silveira, condenado pelo STF; 30% aprovam

Confrontos com STF e TSE interrompem tendência de crescimento de Bolsonaro na corrida eleitoral

JAMILDO MELO
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JAMILDO MELO
Publicado em 11/05/2022 às 12:49 | Atualizado em 11/05/2022 às 12:50
EVARISTO SA/AFP
O parlamentar bolsonarista Daniel Silveira foi condenado a 8 anos e 9 meses de prisão - FOTO: EVARISTO SA/AFP
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A 11ª rodada da pesquisa presidencial Genial/Quaest, a mais longa série de sondagem eleitoral com entrevistas presenciais, mostra que a maior parte dos eleitores reprovou o perdão presidencial ao deputado Daniel Silveira, condenado por ameaças aos ministros do STF. As intenções de voto em Bolsonaro vinham subindo desde fevereiro.

A avaliação contrária a aposta de Bolsonaro se insere entre ou a partir dos embates do presidente com o Supremo Tribunal Federal (STF) e com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que interromperam a tendência de crescimento da sua candidatura. O STF é o último esbarro contra uma quebra democrática. No golpe de 64, o STF também foi estiolado.

“A graça presidencial ao deputado Silveira engajou os setores radicais da campanha, mas afastou o eleitor moderado que vinha se aproximando do presidente”. Nunes demonstra o argumento com a divisão sobre a rejeição ao perdão entre os eleitores que gostariam que nem-Bolsonaro-nem-Lula vencessem a disputa. “Como os eleitores de Bolsonaro e Lula já estão definidos, é a faixa dos Nem-Um-Nem-Outro que vai decidir a eleição. Entre esses eleitores, 54% reprovam a ação do presidente, contra 17% que aprovam”, diz Felipe Nunes, diretor da Quaest.

De acordo com a pesquisa, o afastamento dos moderados explica por que caiu o número de eleitores que votaram em Bolsonaro em 2018 que defendem a reeleição. Eram 63% em abril e são 58% hoje.

Perguntados se o perdão ao deputado mudou a possibilidade de voto no presidente, 12% responderam que diminui e 45% que confirmou a intenção de não votar pela reeleição. O levantamento mostrou ainda que a faixa de brasileiros que desconfia das urnas eletrônicas caiu de 29% para 22% desde setembro do ano passado, quando foram organizados protestos pedindo o voto impresso.

Metodologia

A pesquisa Genial/Quaest ouviu 2.000 pessoas com mais de 16 anos entre os dias 5 e 8 de maio em entrevistas nas casas dos eleitores em 27 Estados. Desde julho de 2021, a Genial/Quaest realiza pesquisas de intenção de voto para as eleições presidenciais. É a mais longa série de sondagens feitas presencialmente no país.

Até novembro de 2022, serão 24 rodadas de pesquisa nacional, cada uma delas implicando em duas mil coletas domiciliares face a face, realizadas nas 27 unidades da federação, abrangendo 123 municípios.

O nível de confiança da pesquisa Genial/Quaest é de 95%, com margem de erro máxima de 2%, para cima ou para baixo, em relação ao total da amostra.

 

 

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