evolução das intenções

Pesquisa Genial/Quaest. Lula tomou 18% dos eleitores de Bolsonaro

Eleitores avaliam que presidente erra ao propor enfrentamento institucional, pôr em xeque a credibilidade das urnas eletrônicas e ao perdoar deputado condenado pelo Supremo

JAMILDO MELO
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JAMILDO MELO
Publicado em 11/05/2022 às 13:16 | Atualizado em 11/05/2022 às 13:27
RICARDO STUCKERT
APOIO Especialistas dizem que o voto para presidente costuma ter impacto nas escolhas regionais do eleitor - FOTO: RICARDO STUCKERT
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A 11ª rodada da pesquisa presidencial Genial/Quaest, a mais longa série de sondagem eleitoral com entrevistas presenciais, mostra que 18% dos eleitores de Bolsonaro nas eleições passadas pretendem votar em Lula, neste ano.

De acordo com os realizadores da pesquisa, o radicalismo pode ser uma das explicações. "O afastamento dos moderados explica por que caiu o número de eleitores que votaram em Bolsonaro em 2018 que defendem a reeleição. Eram 63% em abril e são 58% hoje", explicam.

Ataques à democracia

Uma das explicações para a situação pode ser a reiterada aposta de Bolsonaro na radicalização. "Os embates do presidente Jair Bolsonaro com o Supremo Tribunal Federal (STF) e com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) interromperam a tendência de crescimento da sua candidatura".

Conforme o levantamento, a maior parte dos eleitores reprovou o perdão presidencial ao deputado Daniel Silveira, condenado por ameaças aos ministros do STF, enquanto caiu a porcentagem dos que desconfiam das urnas eletrônicas. As intenções de voto em Bolsonaro vinham subindo desde fevereiro.

Ainda de acordo com o levantamento, quando perguntados se o perdão ao deputado Daniel Silveira mudou a possibilidade de voto no presidente, 12% responderam que diminui e 45% que confirmou a intenção de não votar pela reeleição.

“A graça presidencial ao deputado Silveira engajou os setores radicais da campanha, mas afastou o eleitor moderado que vinha se aproximando do presidente”. Nunes demonstra o argumento com a divisão sobre a rejeição ao perdão entre os eleitores que gostariam que nem-Bolsonaro-nem-Lula vencessem a disputa. “Como os eleitores de Bolsonaro e Lula já estão definidos, é a faixa dos Nem-Um-Nem-Outro que vai decidir a eleição. Entre esses eleitores, 54% reprovam a ação do presidente, contra 17% que aprovam”, diz Felipe Nunes, diretor da Quaest.

Confiança nas urnas

O levantamento mostrou ainda que a faixa de brasileiros que desconfia das urnas eletrônicas caiu de 29% para 22% desde setembro do ano passado, quando foram organizados protestos pedindo o voto impresso.

A pesquisa também indica que o voto já está cristalizado para 63% dos eleitores. Em 2018, este grau de decisão só aconteceu em setembro. Em outra pergunta, os entrevistados puderam dizer quem gostariam que vença a eleição: 45% preferem Lula e 29% optam por Bolsonaro.

Para 58% dos brasileiros, o atual presidente não merece um segundo mandato, enquanto 44 % acham que Lula não merece voltar ao Palácio do Planalto.

Economia

A economia também vem influenciando diretamente na eleição. Ela é o principal problema do país, na avaliação de 50% dos entrevistados. Para 62%, a situação econômica piorou no último ano. Porém, 52% têm expectativa de melhora. Em relação à pandemia, os eleitores acreditam que Bolsonaro mais errou do que acertou, embora 71% considerem positivo o trabalho do Sistema Único de Saúde (SUS).

Regiões

Lula ganha em quatro regiões do país: Nordeste (62% a 20%), Sudeste (43% a 29%), Norte (40% a 35%) e Sul (36% a 34%), neste último caso dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.

Na Região Centro-Oeste, Bolsonaro está com 48% contra 32% de Lula. Entre as mulheres, o ex-presidente fica com 51% dos votos, contra 22% do atual presidente. Na simulação do segundo turno, Lula chega a 54% contra 34% de Bolsonaro.

EVARISTO SA/AFP
Bolsonaro declarou que entregará o comando do governo em uma situação melhor do que recebeu em 2019 - EVARISTO SA/AFP

Resumo

Lula segue liderando com 46% das intenções de voto

Bolsonaro fica com 21% e para de subir depois de três meses

45% reprovam perdão a deputado condenado pelo STF; 30% aprovam

Desconfiança em relação às urnas eletrônicas cai para 22%.

Eleitores avaliam que presidente erra ao propor enfrentamento institucional, pôr em xeque a credibilidade das urnas eletrônicas e ao perdoar deputado condenado pelo Supremo.

Metodologia

A pesquisa Genial/Quaest ouviu 2.000 pessoas com mais de 16 anos entre os dias 5 e 8 de maio em entrevistas nas casas dos eleitores em 27 Estados. Desde julho de 2021, a Genial/Quaest realiza pesquisas de intenção de voto para as eleições presidenciais. É a mais longa série de sondagens feitas presencialmente no país.

Até novembro de 2022, serão 24 rodadas de pesquisa nacional, cada uma delas implicando em duas mil coletas domiciliares face a face, realizadas nas 27 unidades da federação, abrangendo 123 municípios.

O nível de confiança da pesquisa Genial/Quaest é de 95%, com margem de erro máxima de 2%, para cima ou para baixo, em relação ao total da amostra.

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