Opinião

Lula e Bolsonaro agradecem. Por Ricardo Leitão

Essa é a eleição mais importante da história da República. Estão em disputa o passado e o futuro

Jamildo Melo
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Jamildo Melo
Publicado em 20/05/2022 às 17:16 | Atualizado em 20/05/2022 às 17:23
JEFFERSON RUDY/AGÊNCIA SENADO
TERCEIRA VIA O nome de Tebet foi escolhido pelos presidentes do PSDB, MDB e Cidadania - FOTO: JEFFERSON RUDY/AGÊNCIA SENADO
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Por Ricardo Leitão, em artigo enviado ao blog

As pesquisas eleitorais indicam que, somadas, as intenções de voto em Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro chegam a 70%. Restam portanto 30%, entre indecisos, os que pretendem votar em branco e os que rejeitam o petista e o candidato da direita.

É para esse percentual que, há meses, se voltam os olhos e as esperanças da chamada Terceira Via ou Centro Democrático. No dia 18, data marcada para essa frente partidária apresentar seu candidato único, as esperanças murcharam.

A Terceira Via foi lançada em 31 de março de 2021, com a divulgação do “Manifesto pela Consciência Democrática”. Assinaram o documento Ciro Gomes (PDT), Eduardo Leite e João Doria, ambos do PSDB, João Amoêdo (Novo), Luiz Henrique Mandetta (DEM) e Luciano Huck (sem partido).

O objetivo da coalização era dar ao eleitor uma alternativa à polarização entre Lula e Bolsonaro. Os nomes de Simone Tebet (MDB) e Luciano Bivar (União Brasil) foram integrados depois.

Ficou acertado que todas as candidaturas seriam mantidas e os entendimentos em curso preservados, até que uma pesquisa indicasse quem iria representar a Terceira Via na disputa presidencial.

Não funcionou. Gorou a candidatura de João Doria, nome escolhido pelos tucanos , que é pressionado para retirar sua postulação em favor de outro nome do PSDB. O partido rachou entre as alas paulista e mineira, e alguns líderes comunicaram que apoiariam Lula. Com um caixa de R$ 1 bilhão para as despesas de campanha, Luciano Bivar foi cuidar de eleger uma bancada forte no Congresso e em seguida anunciou que será candidato à Presidência. Simone Tebet está sendo apontada como a derradeira opção.

Porém, política do Centro-Oeste, não seria capaz de entusiasmar os caciques regionais do MDB, a essa altura já negociando acordos com lulistas e bolsonaristas.

No aperto, se cogita até o nome do senador tucano Tasso Jereissati, respeitada liderança tucana que anunciara sua aposentadoria de campanhas eleitorais. Amoêdo, Mandetta e Eduardo Leite já haviam desistido antes, assim como Sérgio Moro, que pretende ser deputado federal por São Paulo.

A desidratação da Terceira Via favorece Lula e Bolsonaro. Na hipótese de Ciro Gomes não alcançar dois dígitos de intenções de votos há possibilidade – ainda que remota – de a eleição ser resolvida no primeiro turno.

Ou, noutra hipótese, se continuar enredado no embrulho em que se meteu, o PSDB ver seus eleitores serem atraídos pela chapa centrista Lula-Alckmin. Movimento assim já ocorre, só que em sentido inverso: com a saída de Moro da disputa presidencial, seus eleitores migraram para Bolsonaro, opção de direita capaz de vencer o petismo, acham.

Como no caso da migração do espólio de Moro, é preciso também avaliar para onde irão os eleitores de outros candidatos que ainda podem retirar seus nomes, como Simone Tebet. Ela não votará em Bolsonaro, mas faz política em uma região - o Centro-Oeste – em que Sua Excelência tem forte penetração. A saída de Tebet, de princípio, favoreceria o projeto de reeleição de Bolsonaro.

Ou seja: os estertores da Terceira Via levariam Lula e Bolsonaro para o segundo turno, com uma diferença mínima de votos entre os dois; garantiriam a vitória de Lula no primeiro turno ou a de Bolsonaro – todas as cartas estão na mesa.

Sua Excelência está no jogo. Ele fará tudo para se manter no poder e escapar da prisão, até participar de um culto ecumênico em solidariedade a Vladimir Putin, seu novo líder internacional, depois da paixão por Donald Trump. Tem condições de conquistar votos que ficarão sobrando na implosão da Terceira Via? Tem, assim como Lula.

O problema é que a abordagem dos dois a esse espólio parece até aqui equivocada. Apesar da presença de Geraldo Alckmin em sua chapa, Lula permanece com dificuldades de se aproximar de empresários, Forças Armadas e formadores de opinião não petistas. Continua forte em sua base histórica, no entanto ela é insuficiente para lhe garantir a vitória.

Bolsonaro está firme na centro-direita. Porém, é pouco para evitar a derrota. Como Lula, ele também precisa ampliar seu apoio no centro, superando uma rejeição recorde em disputas presidenciais. Rejeição que cresce a cada dia, na proporção em que o desgoverno se aproxima do fim sem solucionar nenhuma das crises que atormentam os brasileiros.

A ruína da Terceira Via deu oxigênio e pode dar votos a Lula e Bolsonaro. Contudo, não há como fechar prognósticos. Só uma coisa é certa: essa é a eleição mais importante da história da República. Estão em disputa o passado e o futuro. Não se pode errar.

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