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Tecon Suape deve participar de leilão de áreas do Estaleiro Atlântico Sul

Empresa de logística Maersk planeja operar terminal próprio em Suape e já apresentou proposta milionária à Justiça de Ipojuca. Agora, o Tecon Suape deve entrar na disputa

Jamildo Melo
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Jamildo Melo
Publicado em 31/05/2022 às 14:06 | Atualizado em 31/05/2022 às 16:41
ARNALDO CARVALHO/JC IMAGEM
SUAPE Estaleiro Atlântico Sul retomou as operações em outubro de 2020 depois de mais de um ano sem funcionar - FOTO: ARNALDO CARVALHO/JC IMAGEM
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Os filipinos do Tecon Suape, que operam um terminal público no porto organizado, atrelado controle de regras da União, devem se habilitar no leilão de áreas do Estaleiro Atlântico Sul, realizado pela Justiça de Ipojuca, dentro d plano de recuperação judicial da empresa. A possibilidade de participação dos filipino, concorrendo com a proposta da dinamarquesa Maersk, já era aventada desde a semana passada, nos bastidores empresariais de Pernambuco. Nesta terça-feira, o presidente de Suape, Roberto Gusmão, confirmou a disputa. O leilão está em aberto, e outros grupos internacionais podem participar.

"O Tecon Suape está se habilitando e vai ser ruim (para Pernambuco) se eles participarem. (Se vencerem) será trocar seis por meia dúzia (abre mão do terminal público para ter um terminal privativo). Se eles tiverem sucesso, vão ter que escolher um ou outro, vão ter que abandonar o terminal público e seremos obrigados a realizar uma nova licitação para o Tecon Suape", explicou Roberto Gusmão, ao blog.

Os filipinos são um grupo de operadores portuários. Já a Maersk são armadores, donos de navios. Depois da pandemia, os donos de navios vem promovendo um processo de verticalização, que une nas operações os navios e terminais e armazéns próprios. É dentro desta lógica que a Maersk ofereceu cerca de R$ 900 milhões pelas áreas internas de cais do Estaleiro Atlântico sul, localizadas fora do porto organizado, ou seja, longe das amarras impostas pela Antaq, federal.

O Estaleiro Atlântico Sul é controlado pela Queiroz Galvão e Camargo Correa. Com a venda de ativos, as empreiteiras buscam pagar dívidas com o BNDES, maior credor do antigo projeto de indústria naval.

No ano passado, o grupo de credores, com o aval da Justiça, tentou vender as áreas em bloco, mas não aparecera interessados. Agora se tenta vender em partes. As duas áreas laterais receberam a proposta da Maersk, mas a área central continuará à disposição dos controladores, mantendo a atividade de reparos de navios.

Terminal mais caro do Brasil

Roberto Gusmão lembra que, em 2019, o Estado e o Tecon Suape entraram com um pedido na Antaq para rever o contrato e estabelecer o equilíbrio na operação.

"Por conta do contrato de concessão, depois de 20 anos, as tarifas dobraram de valor. Hoje, se paga três vezes o que se paga em Santos, por exemplo. Só que Suape foi à Antaq e disse que queria ganhar no volume de movimentação e não co custo fixo (estabelecido pela regra do edital de concessão, no governo Jarbas). A Antaq não aceitou", diz

"A Antaq em Abril do ano passado negou o provimento do reequilíbrio, mas após recurso feito reviu a aceitou a proposta, concordando em reequilibrar o contrato por mais investimentos no terminal. A decisão final cabe a Secretaria Nacional de Portos, que representa o governo federal e dentro do porto organizado de Suape é o poder concedente"

"Todo mundo sabe do potencial de crescimento de Suape, mas, nas condições atuais (para um porto organizado) não vai parecer interessados, como de fato não houve êxito na licitação para o segundo Tecon. Legalmente, já poderia ter sido concedido, haveria um outro terminal público. Assim, a movimentação de 500 mil TEUs não é o fator limitante. Eles até já chegaram a 518 mil TEUs", esclarece.

Caso Temer ou Bolsonaro tivessem restabelecido a autonomia de Suape, é possível que o nó já tivesse sido desatado.

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