Ataques à democracia

Assassinatos de Dom e Bruno. Mais da metade dos brasileiros evita notícias, mostra relatório da Reuters

No Brasil, 54% dos brasileiros dizem que "muitas vezes, ou às vezes" evitam as notícias sobre as mortes, índice bem acima da média mundial, de 38%.

Jamildo Melo
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Jamildo Melo
Publicado em 23/06/2022 às 0:43 | Atualizado em 23/06/2022 às 0:45
REPRODUÇÃO DE VÍDEO
Aldeias indígenas já se despedem de Bruno Pereira com rituais - FOTO: REPRODUÇÃO DE VÍDEO
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O site Jornalistas & Cia destaca que, após a confirmação dos assassinatos do jornalista britânico Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira, no Vale do Javari (AM), diversas organizações ligadas à defesa das liberdades de expressão e de imprensa expressaram profunda indignação e tristeza pelas mortes. O conjunto de organizações solidarizou-se com as famílias e os amigos de Pereira e Phillips.

A 11ª edição do Digital News Report, relatório produzido pelo Instituto Reuters, revelou dados preocupantes no que se refere à atividade jornalística brasileira e no mundo em geral. Segundo a pesquisa, feita com consumidores de notícias em 46 mercados de seis continentes, o número de pessoas que evitam notícias aumentou ao redor do globo.

No Brasil, a situação é uma das piores: em 2022, 54% dos brasileiros dizem que “muitas vezes, ou às vezes” evitam as notícias, índice bem acima da média mundial, de 38%.

Para efeito de comparação, em 2017 cerca de 27% dos brasileiros preferiam não consumir o noticiário, número que aumentou para 34% em 2019. Outros países analisados na América Latina foram Argentina (46% evitam conteúdos jornalísticos), Chile (38%), Colômbia (38%), México (37%) e Peru (37%).

Apesar da situação, também foram reforçados os pedidos às autoridades para que a execução seja apurada de forma célere, transparente e independente. Assinada por Abraji, Ajor, Artigo 19, Fenaj, Intervozes, Instituto Palavra Aberta, Instituto Vladimir Herzog, Repórteres sem Fronteiras (RSF) e Tornavoz, a nota alcançou projeção internacional, resultado de articulações lideradas pela Abraji. Somaram-se a elas Voces Del Sur, IFEX, IFEX-ALC e Forbidden Stories, além de Jeduca e AMARC Brasil, que atuam em âmbito nacional.

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