Desenvolvimento regional

TRANSNORDESTINA: ministro de Lula prometeu tirar ramal de Suape do papel

Em reunião com o Governo Federal, governadores do Nordeste pediram redesenho do Projeto Transnordestina

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Jamildo Melo

Publicado em 09/02/2023 às 16:40 | Atualizado em 09/02/2023 às 17:17
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No encontro entre s governadores do Ceará, Elmano de Freitas, o Piauí, Rafael Fonteles, e de Pernambuco, Raquel Lyra, nesta terça-feira, em Brasília, com os ministros do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), Wellington Dias, o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Walter Góes, ao menos da boca para fora, prometeu concluir o ramal de Pernambuco e não apenas o ramal para o Ceará.

“Este é um projeto prioritário tanto para o presidente quanto para os governadores. Vamos sistematizar as prioridades por regiões e por estados e, no Nordeste, merecem destaque a transposição do Rio São Francisco e a Transnordestina. O Governo Federal vai fazer o possível para que o projeto da ferrovia seja garantido por inteiro”, destacou o ministro Waldez Góes.

O principal objetivo do encontro foi discutir com técnicos e gestores alternativas de financiamento para o retorno dos trabalhos e dar velocidade à conclusão da ferrovia Transnordestina.

Qual foi o busílis?

"O esperado era um gesto de aproximação do Governo Federal com o Grupo BEMISA, reafirmando o compromisso com a conexão ferroviária de Suape com a mina em Curral Novo através de um instrumento de direito de passagem até Salgueiro e a construção do trecho Salgueiro – Suape", informam fontes do blog.

"É preciso reverter a “falta de entusiasmo” com as autorizações ferroviárias, em especial com a EF233, e “excesso de benevolência” com a TLSA, por parte do Governo Federal, desde a fase de transição, pois a assinatura do termo aditivo poderia ter sido suspensa ainda em dezembro durante a transição, a exemplo de outros instrumentos, como a privatização do Porto de Santos".

No final de julho/2022 a ANTT publicou a revisão do orçamento regulatório da Transnordestina. O valor total de cerca de R$ 8,9 bilhões para toda a obra. Até o momento entre recursos públicos e privados, diretos ou via financiamento, foram gastos R$ 6,4 bilhões, restando tão somente R$ 2,5 bilhões. Segundo a TLSA, somente para concluir o trecho de Missão Velha a Pecém seriam necessários R$ 3,83 bilhões.

"Como o Governo vai fechar essa conta? Com recursos da União enquanto o Ramal Suape fica à mercê de captação de investidores?"

São estes desencontros ou indefinições que podem estar alimentando a versão de que o projeto estaria suspenso e que o Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional à governadora Raquel Lyra, com o objetivo de manter apenas o trecho ferroviário que conecta o Piauí ao Porto de Pecém, no Ceará.

Nova reunião em breve

De acordo com as informações divulgadas, ainda nesta semana, será realizada nova reunião para debater o tema, com presença de representantes dos ministérios da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), do Desenvolvimento e Assistência Social, dos Transportes, da Infraestrutura, da Fazenda, de Portos e Aeroportos e da Casa Civil da Presidência da República para que seja apresentado o quanto antes um projeto detalhado ao presidente Lula.

Grupo da CSN pediu mais verbas

No encontro, o diretor-presidente da empresa Transnordestina – executora do projeto ferroviário –, Tufi Daher Filho, fez uma apresentação detalhada sobre as etapas da obra e as possibilidades de repasses de verba.

"O MIDR será o responsável pela modelagem de um novo funding para financiamento das obras da ferrovia. Uma das propostas é o uso de recursos do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) e da recompra de cotas do Fundos de Investimento do Nordeste (Finor) com esse objetivo", informou o ministério, sem dar maiores detalhes.

TSLA
Obrs da ferrovia Transnordestina Piauí - TSLA

Cabo de Santo Agostinho e Alagoas

O projeto prevê a construção de 1.753km de malha ferroviária nos estados de Pernambuco, Ceará e Piauí, além da recuperação de 585km do trecho que liga Cabo (PE) a Porto Real do Colégio, em Alagoas.

A Transnordestina será uma solução logística integrada para atender a região Nordeste, com foco no agronegócio e na indústria mineral. Em agosto do ano passado, o governo Bolsonaro repetia essa promessa,que não saiu do papel.

Ferrovia vai integrar o acesso entre três estados da região Nordeste, levando mercadorias de polos econômicos. O ministro ainda lembrou outras possibilidades de investimento na região, como siderurgia, mineração, logística, cimento e energia.

O ministro Wellington Dias destacou o impacto socioeconômico que a retomada da Transnordestina tem sobre a população mais vulnerável.

“Não existe uma obra mais social que essa, porque ela chega ao coração das áreas em que há mais população de baixa renda, criando oportunidades de emprego e renda para as famílias”, afirmou.

“Se tivermos uma proposta capaz de dar mais agilidade para a conclusão da obra, mais cedo conseguiremos abrir portas para a chegada de investimentos dos setores. A riqueza que está na região só terá chances de se tornar fator econômico com a ferrovia”, declarou Wellington Dias.

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