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Ex-diretor da Abin de Bolsonaro impediu demissão de investigados por espionagem, diz colunista

Alexandre Ramagem, então diretor da Abin no governo Bolsonaro, atrasou demissão de servidores investigados em caso de espionagem na agência de inteligência brasileira, revela colunista. PF acredita que atraso foi causado por chantagens de servidores que ameaçaram contar sobre monitoramento ilegal

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Cynara Maíra

Publicado em 25/10/2023 às 6:34
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Após a operação Última Milha da Polícia Federal garantir a demissão de dois servidores da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) na última sexta-feira (20) por conta do monitoramento ilegal de diversas pessoas públicas brasileiras, várias informações estão sendo expostas na última semana. 

Entre elas, a colunista Juliana Dal Piva, do portal Uol, revelou em uma reportagem exclusiva que o então diretor da Abin na época das espionagens, o atual deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), proibiu a demissão de dois servidores que acabaram exonerados na semana passada. 

A operação Última Milha investiga o uso irregular de um sistema de monitoramento de dispositivos móveis para espionar membros do Judiciário e outras figuras públicas entre os anos de 2019 e 2021, período que estava no Governo de Jair Bolsonaro (PL). 

Ramagem barrou demissão de envolvidos em espionagem na Abin

De acordo com os dados acessados com exclusividade por Juliana Dal Piva, em 23 de abril de 2021, a corregedoria-geral da Abin reconheceu a culpa de Rodrigo Colli e Eduardo Arthur Izycki, pessoas exoneradas após a operação da última sexta, por terem feito uma licitação de uma empresa particular com o Exército. 

Essa prática de abrir licitações com empresas em os sócios são membros da Abin é contra as regras da agência. Apesar da corregedoria-geral do órgão ter recomendado a demissão de Colli e Izycki, os autos do processo indicam que Ramagem não formalizou a demissão e pediu que o procedimento retornasse para adicionar mais depoimentos e provas, além de pedir a criação de uma nova comissão. 

A justificativa de Ramagem era de que a conduta dos agentes não foi individualizada no processo emitido pela corregedoria-geral da Abin e que faltava mais provas sobre o conflito de interesses que tornaria a ação de ambos ilegal. 

Toda essa situação atrasou a demissão de ambos os servidores em dois anos. Essa situação também é citada por Dal Paiva como investigada pela PF, já que existem suspeitas de que a direção da Abin estava sendo chantageada pelos servidores, que ameaçavam denunciar o uso ilegal do software First Mile para monitoramento de ao menos 1800 telefones.  

O uso do First Mile está sendo investigado pela PF a mando do STF, já que a espionagem ocorria sem autorização judicial e foi identificado que nomes da oposição contra Bolsonaro, como o jornalista Glenn Greenwald e os políticos David Miranda e Jean Wyllys, eram monitorados pela Abin

Em nota ao Uol, Alexandre Ramagem confirmou sua justificativa para ter atrasado as demissões e indicou que a demissão de ambos os servidores dois anos depois foi feita "de forma técnica". 

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