ESSEQUIBO

'Venezuela invade Guiana': Entenda a fake news envolvendo o conflito em torno da fronteira Venezuela-Guiana

Apesar dos boatos, o governo Maduro já manifestou publicamente apoio à invasão e anexação do território de Essequibo, na Guiana

Imagem do autor
Cadastrado por

Marcelo Aprígio

Publicado em 30/11/2023 às 11:55 | Atualizado em 30/11/2023 às 11:55
Notícia
X

Em meio à tensão envolvendo a Venezuela e a Guiana, vídeos descontextualizados inflamaram as redes sociais brasileiras, ao supor que o país governado por Nicolás Maduro havia invadido a nação vizinha.

No X, antigo Twitter, vários vídeos mostram supostos militares andando no meio da mata. As legendas das publicações indicam que os homens seriam do Exército da Venezuela e teriam invadido a Guiana através de território brasileiro.

Mas a informação é falsa! Os vídeos, na verdade, mostram um grupo de guerrilheiros de dissidências das FARC e do ELN em uma mata nos municípios de Santa Rosa del Sur e Morales, na Colômbia.

As imagens já foram amplamente divulgadas por jornais e mídias sociais colombianas, que relatam o conflito entre as Forças Armadas do país e os grupos de guerrilha.

FRONTEIRA VENEZUELA-GUIANA

Os vídeos surgem às vésperas de uma nova etapa da disputa histórica entre Venezuela e Guiana pela região de Essequibo, que será marcada pela realização de um referendo na Venezuela, no próximo domingo (3), determinante para a decisão sobre a anexação deste território rico em reservas petrolíferas.

A disputa pelo controle da região de Essequibo, sob administração da Guiana, é motivada pela descoberta de extensas reservas de petróleo estimadas em 11 bilhões de barris.

Esse conflito envolve principalmente o governo de Nicolás Maduro, que almeja anexar aproximadamente 160 mil km² da área, o que corresponde a cerca de 70% do território total da Guiana.

GUERRA NA VENEZUELA?

O presidente da Guiana, Irfaan Ali, afirmou que espera que o bom senso vença diante desta situação delicada.

Apesar disso, ele garantiu que seu país está se preparando para qualquer desdobramento, inclusive uma guerra, considerando o referendo como uma ameaça à estabilidade e à segurança na América Latina e no Caribe.

Além disso, destacou as conversas realizadas com "parceiros estratégicos", referindo-se especificamente aos "membros do Conselho de Segurança da ONU", incluindo os Estados Unidos.

Por sua vez, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, sugeriu um encontro com Ali, demonstrando abertura ao diálogo como um gesto de vizinhança amigável.

No entanto, Ali ressaltou a necessidade de resolver essa controvérsia na Corte Internacional de Justiça (CIJ).

Apesar de os vídeos publicados nas redes sociais serem falsos, o governo de Maduro já manifestou publicamente apoio à invasão e anexação do território de Essequibo, um impasse que remonta a mais de um século, quando a Guiana ainda era uma colônia britânica, levantando preocupações entre as autoridades internacionais.

Tags

Autor